domingo, 17 de março de 2013

Brasília ou Vera Cruz?

Que nossos parlamentares são pródigos em ideias insólitas ao apresentarem seus projetos para a apreciação do Poder Legislativo todos já sabemos. E não pensem que isso é coisa atual. Ainda outro dia, deparei-me, no site da Câmara dos Deputados, com o, no mínimo interessante, projeto nº 2396 de 1957.

Quando da criação da nova capital do país no planalto central, a Comissão de Mudança da Capital cuidou de criar a Lei 2874 de 19/09/1956 que, no seu artigo 33, diz: “É dado o nome de ‘Brasília’ à nova Capital Federal”.

Eis que, em 25/03/1957, o eminente deputado Daniel Faraco, de quem jamais ouvi falar, protocolou seu projeto nº 2396/1957 na Comissão de Constituição e Justiça. O projeto pretendia, vejam a pérola!, “Dar o nome de ‘Vera Cruz’ à nova Capital Federal”.

Consistia de apenas dois artigos:
Art. 1º - É dado o nome de “Vera Cruz” à nova Capital Federal.
Art. 2º - Revogam-se o artigo 33 da Lei 2874 de 19/09/56 e quaisquer outras disposições em contrário.


Agora vamos à parte, digamos assim, burlesca da ideia do nobre deputado: a justificativa para o projeto.
"Vera Cruz" é, por todos os títulos, nome muito mais expressivo e rico de sentido e tradição do que "Brasília".
A cruz marca de modo impressionante o destino do nosso país.
Esteve nas velas das naus que o fizeram surgir para a civilização.
No primeiro nome que à Terra deram os seus descobridores.
No ato solene de posse que lhe fixou a língua e encaminhou a história.
Está nos céus, na bandeira, nas armas nacionais.
"Vera Cruz", muito melhor do que um nome de fantasia e sem conteúdo, indicará a fidelidade do Brasil à sua vocação cristã e às suas raízes históricas.



No parecer do relator, deputado João Menezes, dado em 18/06/1957, foi dito, entre outras coisas, que: “Evidentemente, não encontramos no mesmo nenhuma conveniência, quer de ordem histórica, de forma, ou de origem popular. Além do mais, o nome Brasília já está consagrado pelo uso e espalhado pelo mundo, refletindo esta iniciativa arrojada que vinha figurando sem resultado prático em nossos dispositivos constitucionais.”

A Comissão opinou unanimemente na forma do parecer do relator. Nem poderia ser diferente.

Há mais de meio século pagamos os salários de reles parlamentares que, em vez de agirem visando à raiz dos problemas da nação, comparecem (quando o fazem) à casa do povo para, como se dizia antigamente, apenas “comer a merenda”. Triste realidade.



Os lindos prédios ecléticos da antiga Avenida Central

Na foto abaixo vemos os belos prédios do Jockey Club e do Derby Club no Rio de Janeiro. O Jockey ficava na esquina da Av. Rio Branco com a Av. Almirante Barroso, bem em frente ao Clube Naval, prédio que resiste até hoje. O Derby ficava ao lado do prédio do Jockey, fazendo esquina com a Rua Heitor de Melo, nome do arquiteto que construiu os dois prédios.


Os dois prédios ocupavam o quarteirão entre a Av. Almirante Barroso e a Rua Heitor de Melo.


Os dois clubes fundiram-se em 1932 formando o Jockey Club Brasileiro. A primeira diretoria do Jockey Club Brasileiro (unificando o Derby Club) teve como presidente o Dr. Linneo de Paula Machado. Na década de 1950, foi construída uma nova sede social do Jockey, projetada por Lucio Costa, na Av. Presidente Antonio Carlos.

Apesar dos protestos, os dois prédios foram demolidos no início dos anos 70. No local antes ocupado pelos dois prédios na Av. Rio Branco, foi construído, entre 1972 e 1976, o Edifício Linneo de Paula Machado, um caixote de vidro de 34 andares, fruto, é claro, da especulação imobiliária no local.