sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Afinidade


Artur da Távola
Hoje estava relendo um dos muitos textos do Artur da Távola, de quem eu tenho acho que todos os livros, e senti saudade de ler suas crônicas diárias no jornal. É lamentável que ele já não esteja mais entre nós para escrever algo tão corriqueiro, mas com tamanha poesia nas palavras, que você sente que precisa parar para refletir sobre o que ele diz. Quero compartilhar com vocês um dos belos textos de Paulo Alberto Moretzsonh Monteiro de Barros. Em outra oportunidade postarei aqui outro texto tão ou mais belo do que este.

Afinidade

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade,
qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa,
o afeto no exato ponto em que foi interrompido

Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe
não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento,
irradia durante e permanece
depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim,
sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido
a respeito dos mesmos fatos que impressionam,
comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com, nem sentir contra,
nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente,
mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado,
não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar
o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar,
jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas
quanto das impossibilidade vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou
sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser,
cada vez mais a expressão do outro
sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.

Boa Viagem aos meus amigos

Machado de Assis disse que “Não é amigo aquele que alardeia a amizade: é traficante; a amizade sente-se, não se diz”.

Portanto, não vou alardear que minha grande amiga está partindo para morar fora do Brasil por uns tempos, mas já estou sentindo saudade desde ontem quando nos despedimos.

Que bom que estamos no século XXI. Assim eu posso contar com tudo de bom que a tecnologia trouxe para facilitar a nossa vida. Telefones celulares, computadores pessoais, e-mails, SMS, internet, redes sociais, Skype etc. 


Já estou com saudade...


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Plantas despoluidoras?! Que estória é essa?

Estamos passando por uma "onda", vamos chamar assim, de colocar-se em casa e escritórios certos tipos de plantas com o intuito de que a clorofila da plantinha, ao fazer sua fotossíntese, ao mesmo tempo que consome gases que são tóxicos aos humanos, jogaria oxigênio “extra” no ambiente. Para Carla Toledo, designer floral e proprietária da Reserva Floral, um dos benefícios do uso de plantas no ambiente de trabalho é a possibilidade de ter um filtro natural de ar, capaz de filtrar as impurezas existentes em um ambiente sem ventilação natural. "Por serem locais fechados, os escritórios possuem como grande vilão os poluentes liberados por aparelhos eletrônicos como ar condicionado, impressoras e copiadoras. As plantas domésticas são ideais para estes locais, pois são purificadores naturais e retiram toda a poluição do ambiente", afirma Carla Toledo. A designer conta que muitas empresas têm investido num serviço chamado Assinatura Floral, que apresentou um crescimento de 20%, em relação ao ano passado, e que garante a entrega de arranjos e flores frescas semanalmente nas empresas. "Além de oxigenar o espaço, as flores aumentam a integração social, criam um ambiente mais cordial, e até melhoram o humor", diz. Segundo o Sr. Marcelo Borges, que não menciona em que área trabalha, afirma que “estudos sérios realizados pela NASA nos anos 80 “comprovam” (como?) que algumas plantas ajudam a despoluir os ambientes internos e, ainda segundo estes estudos uma das melhores plantas é o cáctus”.

E eu posso como uma estória dessas, estudos sérios da NASA!!!

Na França, onde este mesmo modismo paira no ar não tão poluído quanto o de São Paulo, a ADEME - Agence de l'Environnement et de la Maîtrise de l'Energie – se pronunciou em 15/12 sobre o assunto e disse que, em edifícios, em condições reais de exposição, a eficiência da purificação do ar interior feita por plantas ainda não foi provada. Portanto, a ADEME considera que o argumento das "plantas despoluidoras” hoje é prematuro e pode confundir o público em geral no tocante aos níveis de poluição comumente encontrados em casa, além dos conhecimentos científicos acerca deste assunto.

Eis mais um exemplo do que já falei aqui no blog sobre as plantas verdes consumirem todo, ou quase todo, dependendo da espécie, oxigênio que produz durante o processo de fotossíntese. Isso é mito. E já tem gente ganhando dinheiro com isso.

Reduzindo Resíduos II

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Reduzindo Resíduos I

Vejam o que a dona de um salão de beleza na França está fazendo para tentar diminuir o desperdício gerado no ambiente do seu negócio.


domingo, 26 de dezembro de 2010

Como começou o Complexo do Alemão?


Considerada hoje uma das maiores e mais populosas favelas do Rio, o Complexo do Alemão era uma enorme fazenda até o final dos anos 1940. Seu primeiro proprietário foi um imigrante de origem polonesa, muito alto, branco e de fala enrolada. Por causa da sua aparência, os moradores da região passaram a se referir ao dono daquelas terras como "alemão".

Em meio a casebres na Favela da Fazendinha, em Inhaúma, no Complexo do Alemão, um casarão antigo se destaca. Para os moradores da comunidade, o imóvel é mal-assombrado. É chamado de asilo porque foi usado como abrigo para idosos. O Prof. Milton Teixeira pesquisou sobre o imóvel e descobriu que ele foi construído no início do século XX. A casa é o último resquício do passado no que hoje é o Complexo do Alemão.

Segundo o professor, o casarão é um típico chalé suburbano, provavelmente parte de uma chácara, talvez já desmembrada da fazenda do “alemão”, e hoje, a própria chácara também já desmembrada. Nela, morou a viscondessa de Embaré, Josefina Carvalhais Ferreira, viúva de Antônio Ferreira da Silva, o visconde de Embaré. Josefina morreu na primeira década do século XX, com cerca de 80 anos.


Casa da Fazendinha

Ainda em vida, a viscondessa doou os bens da família, em Santos (onde o marido havia nascido) e no Rio, para caridade. O casarão no Alemão foi transformado em asilo. Atualmente, no local funciona a Associação Mantenedora Casa Nossa Senhora de Piedade. O imóvel permanece a maior parte do tempo fechado e por vezes abriga eventos comunitários, como festas juninas. No jardim maltratado, há uma imagem da santa que dá nome à associação.

O terreno do "alemão" aos poucos foi sendo vendido para famílias que procuravam moradia barata na Zona Norte. Nos anos 1960, houve um grande fluxo de migrantes nordestinos para o Alemão. A explosão demográfica, no entanto, só ocorreu na década de 1980, quando o então governador Leonel Brizola autorizou as invasões, e a favela se multiplicou.

Fontes: 
1. Favela tem Memória  
    Todos os direitos reservados ao Viva Rio.
   Este conteúdo só pode ser publicado ou retransmitido com a citação da fonte.
2. Jornal O Globo


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Noite de Natal

Como é o Natal mundo afora? Não há apenas um Natal. Há vários! No hemisfério norte, é inverno e a imagem do Natal é aquela que conhecemos há tanto tempo. Neve caindo, Papai Noel com sua roupa vermelha e pesada, muitos bonecos de neve, tudo que lembre o inverno. Mas... E aqui no hemisfério sul? É tudo tão diferente... Apesar de usarmos estas mesmas imagens invernais. Na minha cidade, o Rio de Janeiro, é verão e faz muito calor. Como Papai Noel poderia vir de trenó do pólo norte com suas lindas renas? Elas morreriam desidratadas antes mesmo de entregar uns poucos presentes às crianças da cidade.

Portanto, deixo meus votos de Feliz Natal a todos os meus leitores à maneira de ambos os hemisférios, norte e sul. Sem nunca nos esquecermos, contudo, de que o Natal não é época de só comprar presentes, lotar os shoppings, consumir excessivamente sem necessidade, menos ainda de nos alimentar incorretamente com coisas gordurosas e quentes, pois aqui no Rio de Janeiro é verão, não inverno, OK?! Aliás, acho que o inverno se esqueceu da minha cidade há um bom tempo.

E lembrem-se sempre de que as grandes alegrias estão nos pequenos gestos de amor e de fraternidade, pois a verdadeira celebração do Natal de Jesus é a vivência dos Seus ensinamentos no nosso dia a dia.



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Hábitos de Higiene(?) no Mundo e no Rio Antigo

Para aqueles que, assim como eu, são admiradores do Rio de Janeiro antigo, pelos idos dos anos  de 1701 a 1900, vale conferir este texto. Aqui, estão narrados com humor, os percalços passados pelos cariocas d’outrora, com a falta do que hoje chamamos de tecnologia. A higiene pessoal, tal como é concebida hoje na maioria dos países, só se estabeleceu em efetivo no século XIX. Antes disso, as pessoas não apenas toleravam a sujeira como ainda, muitas vezes, se compraziam com ela.

No Centro do Rio, ou seja, na capital cultural e social do país, no século XVIII e no início do século XIX não havia nenhuma medida de higiene coletiva por absoluta falta de saneamento público. As casas não tinham banheiros e as necessidades eram feitas quase sempre nos quintais, numa "casinha", dotada de fossa, simples buraco no chão, sem esgoto, e que era limpa durante a noite por um escravo que recolhia a matéria sólida em tonéis conhecidos como "cabungos", carregados sobre a cabeça e despejados em terrenos baldios próximos às residências ou no mar. Como eram fabricados em madeira, os tonéis quase sempre vazavam parte da carga sobre os seus carregadores, tingindo-os de listras marrons, deixando-os malcheirosos e apelidados pejorativamente de "tigres". Durante a noite principalmente, e também de dia, após usar os urinóis ou bacias era costume esvaziá-los pelas janelas gritando antes de arremessar o conteúdo: "água vai". A exigência do aviso em voz alta era o cumprimento de um decreto de 1776 baixado pelo Vice-Rei Dom Manoel de Portugal da Silva Mascarenhas, o Marquês do Lavradio, almofadinha, típico dândi e por isso apelidado de "Gravata", que havia sido vítima de "águas-servidas", atingido que fora pelo líquido despejado de um urinol.



Os "tigres" despejando os dejetos das casas de seus senhores nos rios, lagos e mares.

Quando a "necessidade" se apresentava em plena rua, não havia como evitar o uso de qualquer canto mais discreto, sem nenhuma manifestação de pudor ou recato, até porque praticamente só existiam homens nas vias públicas, quer livres ou escravos, já que as mulheres somente saíam aos domingos e sempre acompanhadas dos seus responsáveis, ou seja, pais, maridos ou irmãos. A guisa de curiosidade, cumpre esclarecer que as mulheres grávidas, quando os ventres começavam a se avolumar, se resguardavam de sair às ruas para não mostrar a sociedade, de forma acintosa, o "sexo praticado" ainda que com os seus esposos.

Quando se fala em glutão, o nome que vem à mente é o de Dom João VI.

Também não era de estranhar o hábito de a população usar a rua para satisfazer as suas necessidades fisiológicas, quando sabemos que Dom João VI, conhecido edaz, apreciador contumaz de "franguinhos-de-leite", diabético e doente crônico por má alimentação e falta de higiene, costumava fazer uso do penico nas suas andanças pelas ruas do reino e, sempre que sentia necessidade, punha a cabeça para fora da carruagem e gritava ao cocheiro: "Lobato! Desejo obrar!", e o cocheiro por sua vez gritava avisando: "O Rei quer obrar", parando em seguida para que fosse montado um pequeno aparato com um penico, cercado por guardas para garantir a "privacidade" de Sua Majestade. Os problemas intestinais de Dom João VI foram herdados por seu filho, Dom Pedro I, que sofria de frequentes diarréias, uma delas certamente histórica, quando às margens do Riacho Ipiranga havendo apeado do cavalo, pois segundo historiadores, tinha de "...se apear de meia em meia hora para obrar", viu-se abordado pelo mensageiro Paulo Bregaro que lhe entregou a decisão do Conselho de Estado que pedia a nossa Independência.

Quanto à falta de higiene pessoal demonstrada por Dom João VI, o melhor exemplo é ter sido, aos 51 anos, obrigado pelo médico da Corte a tomar um banho para debelar uma infecção surgida numa perna devido a uma mordida de carrapato, o que motivou a compra de uma chácara no bairro do Caju, transformando-a em "Casa de Banhos". Em seguida, providenciou um barril furado dos lados, pois tinha pavor de ser mordido por siris, enfiou-se nele e, levado por escravos, foi até a praia sendo arriado dentro d'água, o que contribuiu para a cura.


A Casa de Banhos de Dom João VI no bairro do Cajú, onde já não há mais praia e a casa hoje é um museu.

O cristianismo representou um retrocesso na história da higiene. Praticamente todas as civilizações da Antiguidade deram grande valor ao cuidado com o próprio corpo e com o bem-estar físico. Os egípcios já fabricavam sabão. A religião grega previa uma série de libações antes de sacrifícios animais e refeições, e o banho era uma instituição cotidiana, registrada até nos mitos. O Império Romano criou aquedutos para abastecer suas principais cidades. O romano abastado frequentava diariamente os banhos públicos, onde o corpo era lavado em uma sucessão de piscinas com temperaturas variadas e esfregado vigorosamente – não se usava sabão – para retirar todas as sujeiras. No Japão já existia o ofurô como prática cotidiana. Tudo isso desapareceu com a queda do Império Romano e a prevalência dos cristãos. E por que esse hábito horrível foi disseminado pelos religiosos cristãos? Ora, eles achavam o banho um culto ao corpo e, portanto, um pecado a ser evitado, ao contrário dos egípcios, dos gregos, dos romanos e dos nossos índios que o praticavam regularmente como um hábito salutar. As ideias religiosas foram levadas ao exagero e as termas passaram a ser consideradas locais de pecado, porque as pessoas se viam nuas umas às outras. Não é exagero afirmar que a Idade Média foi o período em que os cristãos varreram da Europa as termas e demais atividades em que as pessoas se expusessem demais. Com tantos pudores, o prazer de tomar banho de corpo inteiro passou a ser visto como um ato de luxúria. Lavar as mãos e o rosto bastava, às vezes nem isso. Quando muito, era aceitável tomar um só banho por ano… As constantes epidemias, como a Peste Negra, assolaram o Velho Mundo. A Idade Média foi muito apropriadamente chamada de 'Idade das Trevas', protagonizando o fim dos hábitos de higiene. A Igreja abominava os banhos, tratando-os como “orgias pecaminosas”. Na época da inquisição o terror mandava nas mentes de cada indivíduo. Havia a cadeira da inquisição, feita de madeira com seus assentos cobertos de espinhos. As costas, os braços, as pernas e os pés da vítima eram penetrados por esses espinhos que eram apertados com cintos de couro para pressionar cada vez mais a vítima. Essa peça foi usada na Alemanha até o século XIX, na Itália e na Espanha até o final de 1700 e na França e outros países europeus até o final de 1800.

An Apodyterium, quadro pintado por Alma Tadema mostra os banhos romanos, que abriam ao meio dia e fechavam ao pôr-do-sol. Nos lugares destinados às irmersões, havia câmaras separadas para homens e mulheres.

Uma vez perdida na poeira medieval, a prática de lavar o corpo todos os dias demoraria séculos para se restabelecer. O banho foi no máximo uma moda episódica – cavaleiros que voltaram das cruzadas, por exemplo, trouxeram o hábito do banho quente, comum entre os muçulmanos, então muito mais asseados do que seus contendores cristãos. No século XIII, o popular Romance de La Rose, poema francês repleto de conselhos eróticos, trazia uma série de recomendações para o asseio feminino. As mulheres deveriam manter unhas, dentes e pele limpos – e, sobretudo, deveriam zelar pela limpeza da "câmara de Vênus". No século seguinte, jogos eróticos no banho também compareceriam no Decameron, do italiano Giovanni Boccaccio. O prestígio do banho, porém, parece ter sido apenas literário. O cristão europeu médio seguiu lavando o rosto e as mãos antes da refeição e esfregando seus dentes com "paninhos" – e a tanto se resumia sua higiene pessoal.

Em Portugal e no resto da Europa, era costume tomar, no máximo, quatro banhos por ano na mudança das estações, quando se trocava a roupa de cima, enquanto a de baixo nunca era trocada e, quando apodrecia, era jogada fora. Quanto ao banho, a água era colocada numa tina, tendo o chefe da família o direito inquestionável de ser o primeiro a usá-la, sendo seguido pela mulher, demais adultos e crianças por ordem de idade, terminando pelos bebês, sempre sem trocar a água que, ao final, de tão escura se alguém mergulhasse nela ficaria impossível de ser identificado.

Os franceses não ficavam muito atrás dos Portugueses, pois Luis XIV viveu 77 anos sem lavar nem os pés; Luis XV só tomou o primeiro banho às vésperas de morrer de varíola; Luis XVI e Maria Antonieta foram guilhotinados sem nunca terem tornado banho e, conforme registro histórico, Napoleão escrevia a Joséphine implorando para que ela não tomasse banho, pois adorava o seu "perfume" natural.

As diferenças sociais e financeiras de que hoje tanto reclamamos já se faziam sentir naquela época de tal maneira, que o Barão de Catas Altas, João Baptista Ferreira Chichorro de Souza Coutinho, mantinha em cada um dos 50 quartos de hóspedes de sua fazenda um penico de ouro incrustado com pedras preciosas e, como bom gozador, costumava dizer: "...levará o penico quem conseguir enchê-lo". Divertia-se o Barão com a comilança desenfreada dos seus convidados dispostos a encher o penico e a ganhar tão valioso presente.

Foi só no século XIX, com a propagação da água encanada e do esgoto e com o desenvolvimento de uma nova indústria da higiene, principalmente nos EUA, que o banho foi reabilitado. O sabão, conhecido desde a Antiguidade, mas por muito tempo considerado um produto de luxo, foi industrializado e popularizado. Em 1877, a Scott Paper, companhia americana pioneira na fabricação de papel higiênico, começou vender seu produto em rolos, formato que se mostra até hoje insuperado. O século XX prosseguiria com a expansão da higiene. Os desodorantes modernos datam de 1907 e a primeira escova de dentes plástica é dos anos 50! A divulgação de produtos e práticas de higiene pessoal passou a contar com um aliado poderoso: a publicidade. Lançado em 1917, o Kotex, tido como o primeiro absorvente íntimo feminino, foi divulgado em 1946 por um filme de animação produzido pelos estúdios Disney. "O sabonete e a publicidade cresceram juntos". Foi daí que surgiu a expressão em inglês que designa a telenovela: soap opera, "ópera de sabonete", referência aos patrocinadores desses programas.


Scott Paper, fábrica pioneira de papel higiênico em 1877 nos EUA. E o produto demorou a vencer a resistência do mercado.

A chaminé da Cia. City Improvements que começou a funcionar, esta no bairro da Glória, nas década de 1860 e jogava o esgoto no mar depois de "tratado" com a tecnologia da época.


Máquinas movidas por motores a vapor.

Bombas e todo maquinário da época preservados.

A Sede da City Improvements do Distrito da Glória. O prédio dessa estação de tratamento de esgotos existe até hoje e pertence à Cedae, mas nela funciona a sede do SENAERJ. As máquina nas fotos acima estão preservadas e expostas nesta sede como um museu.

Depois de implantado o tratamento de esgotos no Rio de Janeiro, ainda assim, já na virada do século XX, a cidade continuava insalubre. Que o diga Oswaldo Cruz, o médico sanitarista que estudou no Instituto Pasteur e durante o governo de Rodrigues Alves, trouxe para o Rio de Janeiro a vacina contra a varíola desidratada, fabricada com o vírus da varíola bovina. Os cortiços, os famosos "cabeças de porco", estavam por todo o Centro da capital do Brasil. Em 1904, a população do Rio de Janeiro se rebelou contra a vacinação e saiu às ruas fazendo a revolta da vacina. Foi preciso convencê-los de que a vacina era um bem para a saúde pública.

Oswaldo Cruz ainda jovem no Instituto Pasteur.


A revolta da vacina em 1904

Cortiço na Rua dos Inválidos no final do século XIX, condições de vida totalmente insalubres.

E assim como as diferenças sociais e financeiras teimam em persistir, persistem também os desmandos administrativos e a incúria dos órgãos públicos em nossa terra, pois, em pleno século XXI continuamos, guardadas as devidas proporções, a ter problemas com o esgoto de nossa cidade; rede coletora mal dimensionada, escoamento clandestino na rede de águas pluviais, interceptores oceânicos fragilizados e vulneráveis às investidas do mar, despejo praticamente "in natura" na Baía de Guanabara.

Fontes: Guilherme Victor M. de Lima Câmara e Revista Veja, Edição 2038.



terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A MGM e o pedido de falência

Após quase um ano agonizando, a MGM parece enfim ter decidido o caminho a seguir para evitar seu fim. Ela entrou com o pedido de falência em 03/11/2010. Os executivos do estúdio apresentaram aos credores da companhia um plano de reestruturação da dívida, atualmente em cerca de US$ 4 bilhões. A intenção é apelar para a lei de falências norte-americana tão logo o estúdio obtenha o apoio de metade dos credores. A partir desta data a direção da MGM ficaria a cargo de Gary Barber e Roger Birnbaum, fundadores da produtora Spyglass Entertainment. Além do comando da empresa, a Spyglass passaria a ter 4,69% das ações da MGM. Outras medidas a serem adotadas visando à reestruturação do estúdio são o término das atividades do setor de distribuição e a realocação da sede para locais mais baratos. Resta saber se, ao menos desta vez, elas serão suficientes para manter o histórico leão de Hollywood rugindo por mais algum tempo.
Dentre seus credores estão grandes bancos, como JP Morgan Chase e o Credit Suisse, e ainda um biliardário corporativo, Carl Icahn, especialista em ganhar dinheiro de empresas em dificuldades.
Um dos estúdios mais tradicionais do cinema, a MGM teve seu plano de falência e recuperação aprovado pelo juiz Stuart Bernstein. Agora, com a aprovação da justiça norte-americana do de reestruturação financeira, a MGM vai implementá-lo. Os chefões da Spyglass são responsáveis por sucessos como ‘O Sexto Sentido’ e os recentes ‘Russell Brand’ e ‘Get Him to the Greek’. A dupla responsável tentará manter o caixa em dia e aposta nos sucessos do próximo filme da franquia James Bond e nos dois longas baseados em ‘O Hobbit’ para fazer da MGM, mais uma vez, um negócio rentável.


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A História dos Estúdios MGM
A MGM foi fundada em 1924 quando o empresário do ramo do entretenimento, Marcus Loew, adquiriu o controle da Metro Pictures, Goldwyn Pictures Corporation e da Louis B. Mayer Pictures

Louis B. Mayer

O slogan oficial do estúdio é "Ars Gratia Artis", uma frase em latim que significa ‘A Arte pela Arte’.
Marcus Lowe, que orquestrou a fusão das empresas que formaram a MGM, junto com visionário Louis B. Mayer e Irving Thalberg, gênio de produção no leme do barco, a Metro-Goldwyn-Mayer era uma usina de talento e prolífica na produção de filmes. O estúdio laçou tantos talentos que ficou famosa uma frase dita "na MGM há mais estrelas do que as estão nos céus”. Durante três décadas de ouro, de 1924-1954, o estúdio de Culver City na Califórnia, como sede da MGM, dominou o mundo do cinema. Um dos anos mais memoráveis no Academy Awards foi em 1939 quando ‘E o Vento Levou’ e ‘O Mágico de Oz’ foram nomeados para Melhor Filme. ‘E o Vento Levou’ abocanhou o prêmio de Melhor Filme daquele ano, juntamente com outros 8 Oscars. ‘O Mágico de Oz’ garantiu 2 Oscars. Hattie McDaniel ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante, e se tornou a 1ª negra norte-americana a ser nomeada e ganhar um Oscar.


Hattie McDaniel ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante em E o Vento Levou em 1939


Greta Garbo e sua mãe em 1939


A colina de Hollywood


Os antigos estúdios da MGM em Culver City na Califórnia nos anos 50

A MGM Studios mudou-se para a recém-construída Torre MGM, em Century City em junho de 2003. A arquitetura do edifício e o design de interiores foram escolhidos para refletir grande história do estúdio, para homenagear seus fundadores e exibir orgulhosamente seus mais valiosos prêmios em Hollywood. Atualmente, a MGM dispõe de um total de 205 prêmios da Academia em sua vasta biblioteca. Entre eles estão 15 Oscars de Melhor Fotografia. Destes, estão incluídos filmes como Rebecca (1940), Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946), Hamlet (1948), Marty (1955), O Apartamento (1960), West Side Story (1961), Tom Jones (1963), No Calor da Noite (1967), Midnight Cowboy (1969), Rocky (1976), Annie Hall (1977), Platoon (1986), Rain Man (1988), Dança com Lobos (1990), O Silêncio dos Inocentes (1991).

O último musical da MGM em 1958, Gigi com Leslie Caron e Louis Jordan

More stars than there are in heaven
Desde o inicio, a MGM apelou pela audiência com glamour e sofisticação. Tendo herdado alguns dos grandes nomes das antigas companhias, Mayer e Thalberg começaram a criar e popularizar um grande número de novas estrelas de cinema. A chegada do cinema sonoro em 1928/29 trouxe oportunidade para novas estrelas, sendo que muitas delas iriam fazer brilhar o nome do estúdio através da década de trinta, como Clark Gable, Jean Harlow, Robert Montgomery, Myrna Loy, Jeanette MacDonald, e Nelson Eddy, entre outros.


O clássico dos clássicos 'E o Vento Levou' com Vivien Leigh e Clark Gable em 1939

A MGM foi um dos primeiros estúdios a experimentar filmagens em Technicolor. Usando os processos de duas cores da Technicolor até então disponíveis, a MGM filmou partes do ‘The Uninvited Guest’ (1923), ‘The Big Parade’ (1925), e ‘Ben–Hur’ (1925), além de muitos outros. Em 1928, a MGM lançou ‘The Viking’, primeiro Technicolor apresentado com som. O primeiro filme sonorizado, e que já não era apenas em duas cores da MGM, foi o musical de 1930 ‘The Rogue Song’. Um pouco depois, a MGM passou a produzir regularmente filmes em Technicolor, sendo ‘The Wizard of Oz’ e ‘Northwest Passage’ os mais notáveis. A MGM também conseguiu um enorme sucesso ao alcançar em Tecnicolor o filme ‘E o Vento Levou’, apresentando Vivien Leigh como Scarlett O'Hara e Clark Gable como Rhett Butler.

O Mágico de Oz com Judy Garland

Após 1940, a produção foi cortada de 50 filmes para 25 filmes por ano. Foi durante esse período que a MGM lançou diversos musicais rentáveis, com atores como Judy Garland, Fred Astaire, Gene Kelly e Frank Sinatra.

Gene Kelly e a época dos grandes musicais ao lado de Leslie Caron e Frank Sinatra

Em 1959, a MGM conseguiu o que foi o seu maior sucesso financeiro dos últimos anos com o lançamento do épico de quatro horas ‘Ben-Hur’, um remake do filme mudo de 1925, baseado no romance de Lew Wallace. Estrelado por Charlton Heston, o filme foi aclamado pela critica e ganhou 11 estatuetas do Oscar, incluindo Melhor Filme, um recorde que só seria batido por ‘Titanic’ em 1997.

O grande épico 'Ben-Hur' com Charlston Heston em 1959

Charlston Heston e um dos 11 Oscars de 'Ben-Hur', recorde que só foi batido 38 anos depois por 'Titanic' em 1997.

Em abril de 1997 a MGM passou por sua primeira reestrutura. Comprou as subsidiárias da Metromedia (Orion Pictures, The Samuel Goldwyn Company, e Motion Picture Corporation of America) por cerca de US$ 573 milhões, aumentando substancialmente sua bilbioteca de filmes, além da sua capacidade de produção. Esse catálogo, que incluía a franquia James Bond, era considerado o principal ativo da MGM. No mesmo ano, a série da MGM Stargate SG-1 foi ao ar pela primeira vez. Nos anos 2000, algumas empresas começaram a tentar comprar a MGM, que sempre viveu no fio da navalha economicamente. A primeira proposta veio da Time Warner. A segunda a tentar a compra foi a Sony Corporation of America em consórcio com a Comcast, Texas Pacific Group e Providence Equity Partners. Por enquanto, a Spyglass Entertainment está tentando colocar a MGM do novo nos trilhos.

Agora é torcer para o leão voltar a rugir.

For as long as there have been movies, there has been MGM Studios. And now, whether on the big screen or small, online or on the go, MGM will be there.
http://www.mgm.com/


sábado, 18 de dezembro de 2010

O que é uma pessoa influente?

Essa pergunta não sai da minha cabeça há algum tempo. Eu gostaria de mais tempo para chegar a uma resposta que satisfizesse todos os meus questionamentos e penso que acabei encontrando uma linha de raciocínio interessante que compartilho aqui com vocês.
 

O advento das redes sociais como meio de comunicação parece ter revigorado o interesse no estudo de pessoas influentes ou formadores de opinião. Digo revigorado porque, desde os anos 50, dois sociólogos americanos definiram em seu primeiro livro o conceito de influência individual como sendo: "Pessoas que espalharão, confirmarão ou negarão a mensagem dos anunciantes através de suas próprias relações sociais se utilizando do “boca em boca” ou do exemplo pessoal”.
As famosas pirâmides do boca-a-boca

Pois é, lembram-se da AmWay nos EUA? Daqueles potinhos plásticos da Tupperware, também nos EUA e que depois virou febre no Brasil? Em 2007, mais um pesquisador estadunidense usou exatamente o mesmo conceito para aplicar ao contexto das mídias sociais. O que mudou durante estes 55 anos foi a proliferação de dados comportamentais gerados pelas atividades online dos consumidores. E hoje estamos na era da Herbalife. Estes dados, uma vez analisados, estarão plenos de informações sobre as pessoas e é isso que explica a criação de novos serviços pelas empresas de relações públicas, como a Edelman PR, que desenvolveu sua própria ferramenta para monitoração de mídias sociais (TweetLevel) ou agências, exigindo ferramentas como Radian6, SM2, Scoutlabs etc, das quais eu nunca tinha ouvido falar.


Já passei por isso quando minha mãe foi aliciada por amigas a participar.

 

Novos serviços
Quais são esses novos serviços? Para a maioria das empresas, a ideia é identificar pessoas influentes com base em um critério específico que é a popularidade da rede desta pessoa. Assim, ao estimar o número de pessoas em potencial que poderia ser influenciado por aquele indivíduo é que a empresa selecionará e fará suas escolhas. Por exemplo, quanto mais seguidores no Twitter uma pessoa tiver e, quanto mais estes seguidores interagirem com ela, mais ela será considerada influente. Pessoalmente penso que essa abordagem nada mais é do que a venda em pirâmide, ou seja, o famoso MMM - Marketing Multinível, também conhecido como marketing de rede. É um sistema de marketing caracterizado pela formação de uma rede de contatos através da indicação de novos associados por parte dos antigos. Na verdade, esta abordagem consiste em identificar as pessoas localizadas na ponta ou no centro de uma pirâmide contendo um máximo de pessoas e esperar que essa pessoa “influente” faça as informações cascatearem até a pessoa de menor influência na rede. Esta abordagem deve ser eficiente para ganhos a curto prazo, mas muito pouco para um comprometimento a médio e longo prazos com os consumidores.


Influência na Comunidade
Um estudo feito em janeiro de 2010 (mais um) e publicado por pesquisadores dos EUA, revelou que não é tanto o número de pessoas incluídas na rede de alguém que determina o seu nível de influência, mas sim o perfil das pessoas que fazem parte dessa rede. Isso me faz crer que o conceito de pessoa influente terá de ser substituído pelo de “comunidade de influência”, no qual o agrupamento de determinadas pessoas numa mesma rede teria um impacto maior sobre o fluxo e a circulação da informação através de diferentes redes de interesse.

Acho que esse desenho é o mais apropriado

Por outro lado, antes que este conceito possa ser posto em prática nos serviços prestados por empresas de relações públicas ou agências, as ferramentas de análise deverão se adequar para conseguirem identificar comunidades de influência e isso corre o risco de ainda demorar um pouco antes do lançamento de aplicações comerciais. Quer saber? Graças a Deus que ainda vai demorar. Assim, a gente ainda tem mais um tempinho para viver nossas vidas normais antes de termos mais uma "obrigação" perante a sociedade, a de sermos pessoas "influentes". Eu sou uma dessas pessoas que prefere a qualidade à quantidade. Portanto, não devo ser considerada influente e nem tenho essa pretensão. E você? Você se considera uma pessoa influente?

Fonte: Le Monde


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ela quase não foi a Torre Eiffel

Você conhece a Torre Bönickhausen? Não? Na verdade, conhece, sim! Ou será que você está chegando da Lua agora? Ela fica em Paris, mede 313m até o topo, sem contar a antena, com a antena são 324m. Ela foi feita em ferro puddlé, foi criada e concebida por um certo Gustave Eiffel. Está ficando mais fácil agora?


Torre Eiffel

Então, por que "Bönickhausen"? Pelo simples motivo de que esse é o sobrenome verdadeiro do engenheiro Gustave. O sobrenome com o qual ele ficou conhecido, Eiffel, fora adicionado anteriormente por um dos seus antepassados alemães quando vieram da Renânia e se estabeleceram em Paris no começo do século XVIII. Os franceses não conseguiam pronunciar o sobrenome original deste seu antepassado alemão – Bönickhausen. Então, este antepassado escolheu o sobrenome Eiffel porque a sua cidade natal, Marmagen, ficava na região de Eifel, na Alemanha. Gustave mudou seu sobrenome oficialmente para Eiffel em 1879, ou seja, 10 anos antes da construção da Torre.


As várias etapas da construção da Torre Eiffel que começou a ser construída em 1887 e ficou pronta em 1889 a tempo para a celebração dos 100 anos da Revolução Francesa.


Nesta foto, de frente, Gustave Eiffel em seu escritório em Paris recebe Thomas Edison, à esquerda.




quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Que quantidade de bom senso você tem?

Sempre que me encontro em um debate (de ideias, é claro), observo que as pessoas costumam dizer com frequência, frases do tipo: “basta ter bom senso e ninguém sairá prejudicado”, ou pode-se dizer a frase com qualquer outro complemento, o sentido da expressão ‘bom senso’, neste caso, será o mesmo. Diante dessas situações, sempre digo ao meu interlocutor que bom senso é aquilo que todos acham que têm na quantidade suficiente, mas que não é bem assim na prática. As pessoas não entendem e me olham como se eu fosse um ET. Entretanto, muito antes de mim, um intelectual (este, um espécime verdadeiro de intelectual), já o dissera, no século XVII, em 1637, para ser mais precisa. Ele era René Descartes, um francês muito além do seu tempo, assim como outros homens e mulheres através da história do nosso planeta. Este post é mais um texto para fazê-los refletir. Estamos todos necessitando de mais reflexão no mundo em que vivemos.

Filosofar é refletir

René Descartes nasceu na França em 1596 e faleceu de pneumonia em Estocolmo, Suécia, em 1650. Viveu apenas 53 anos, o normal para aquela época. Obteve reconhecimento como matemático por sugerir a fusão da álgebra com a geometria - fato que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas que hoje leva o seu nome.


Em 1649, Descartes foi à Suécia, a convite da Rainha Cristina. Seu ‘Tratado das Paixões’, que dedicou a sua amiga Isabel da Boêmia, fora publicado. René Descartes morreu de pneumonia em 11 de Fevereiro de 1650, em Estocolmo, onde estava trabalhando como professor para a Rainha. Neste quadro, de Pierre Louis Desmenil, Descartes faz uma demonstração de geometria para a Rainha Cristina na Corte Sueca.

Descartes ingressou aos oito anos de idade no colégio jesuíta Royal Henry-Le-Grand, em La Flèche. Apesar de reconhecer que no colégio havia certa liberdade, em seu Discurso sobre o método declara, no entanto, a sua decepção, não com o ensino da escola em si, mas com a tradição Escolástica, cujos conteúdos considerava confusos, obscuros e nada práticos. Em 1629, começa a redigir o ‘Tratado do Mundo’, uma obra de Física, na qual aborda a sua tese sobre o heliocentrismo. Porém, em 1633, quando Galileu foi condenado pela Inquisição, Descartes abandonou seus planos de publicá-lo. Em 1637, publicou três pequenos ensaios científicos: ‘A Dióptrica’, ‘Os Meteoros’ e ‘A Geometria’, mas “o prefácio” dessas obras foi o seu grande reconhecimento futuro: o ‘Discurso sobre o método’. René Descartes, além de ter sido um célebre matemático e físico, foi considerado um dos fundadores da filosofia moderna. Aquele que buscou novas formas de ir além do pensamento medieval para justificar a ciência da sua época. René Descartes escreveu esta primeira edição, em francês, sua língua nativa, para torná-lo o mais acessível possível aos seus contemporâneos. Aproveitem para se deleitar com a leitura de apenas um pequeno trecho da Primeira Parte do “prefácio”, ou seja, do Discurso do Método.

Alguns só se lembrarão dele como o homem que disse "Penso, logo existo".

Na quarta parte do Discurso do Método, vocês encontrarão o que pode ser considerado o ponto de partida de toda a filosofa moderna e contemporânea: o Penso, logo existo.
”Enquanto eu queria pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente que eu, que pensava, fosse alguma coisa e, notando que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme e tão certa (...) julguei que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro princípio da Filosofia que procurava.” (Descartes, 1962, p. 66)



Primeira edição do Discurso do Método de René Descartes, em sua versão original, em francês.

INEXISTE NO MUNDO coisa mais bem distribuída que o bom senso, visto que cada indivíduo acredita ser tão bem provido dele que mesmo os mais difíceis de satisfazer em qualquer outro aspecto não costumam desejar possuí-lo mais do que já possuem. E é improvável que todos se enganem a esse respeito; mas isso é antes uma prova de que o poder de julgar de forma correta e discernir entre o verdadeiro e o falso, que é justamente o que é denominado bom senso ou razão, é igual em todos os homens; e, assim sendo, de que a diversidade de nossas opiniões não se origina do fato de serem alguns mais racionais que outros, mas apenas de dirigirmos nossos pensamentos por caminhos diferentes e não considerarmos as mesmas coisas. Pois é insuficiente ter o espírito bom, o mais importante é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, como também das maiores virtudes, e os que só andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam.
Quanto a mim, nunca supus que meu espírito fosse em nada mais perfeito do que os dos outros; com freqüência desejei ter o pensamento tão rápido, ou a imaginação tão clara e diferente, ou a memória tão abrangente ou tão pronta, quanto alguns outros. E desconheço quaisquer outras qualidades, afora as que servem para o aperfeiçoamento do espírito; pois, quanto à razão ou ao senso, posto que é a única coisa que nos torna homens e nos diferencia dos animais, acredito que existe totalmente em cada um, acompanhando nisso a opinião geral dos filósofos, que afirmam não existir mais nem menos senão entre os acidentes, e não entre as formas ou naturezas dos indivíduos de uma mesma espécie.
Mas não recearei dizer que julgo ter tido muita felicidade de me haver encontrado, a partir da juventude, em determinados caminhos, que me levaram a considerações e máximas, das quais formei um método, pelo qual me parece que eu consiga aumentar de forma gradativa meu conhecimento, e de elevá-lo, pouco a pouco, ao mais alto nível, a que a mediocridade de meu espírito e a breve duração de minha vida lhe permitam alcançar. Pois já colhi dele tais frutos que, apesar de no juízo que faço de mim próprio eu procure inclinar-me mais para o lado da desconfiança do que para o da presunção, e que, observando com um olhar de filósofo as variadas ações e empreendimentos de todos os homens, não exista quase nenhum que não me pareça fútil e inútil, não deixo de lograr extraordinária satisfação do progresso que creio já ter feito na procura da verdade e de conceber tais esperanças para o futuro que, se entre as ocupações dos homens puramente homens existe alguma que seja solidamente boa e importante, atrevo-me a acreditar que é aquela que escolhi.
Contudo, pode ocorrer que me engane, e talvez não seja mais do que um pouco de cobre e vidro o que eu tomo por ouro e diamantes. Sei como estamos sujeitos a nos enganar no que nos diz respeito, e como também nos devem ser suspeitos os juízos de nossos amigos, quando são a nosso favor. Mas apreciaria muito mostrar, neste discurso, quais os caminhos que segui, e representar nele a minha vida como num quadro, para que cada um possa julgá-la e que, nformado pelo comentário geral das opiniões emitidas a respeito dela, seja este uma nova forma de me instruir, que acrescentarei àquelas de que tenho o hábito de me utilizar. Portanto, meu propósito não é ensinar aqui o método que cada qual deve seguir para bem conduzir sua razão, mas somente mostrar de que modo me esforcei por conduzir a minha. Os que se aventuram a fornecer normas devem considerar-se mais hábeis do que aqueles a quem as dão; e, se falham na menor coisa, são por isso censuráveis. Mas, não propondo este escrito senão como uma história, ou, se o preferirdes, como uma fábula, na qual, entre alguns exemplos que se podem imitar, encontrar-se-ão talvez também muitos outros que se terá razão de não seguir, espero que ele será útil a alguns, sem ser danoso a ninguém, e que todos me serão gratos por minha franqueza.



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

13 de Dezembro - Aqui jaz o velho marinheiro

Hoje é dia 13 de dezembro, Dia do Marinheiro. Antes de falar do Almirante Tamandaré, coisa que todo mundo faz, e eu também o farei, quero mostrar a influência dos marinheiros na nossa vida cotidiana até hoje.

Ele não está um gatinho?

Quem nunca viu uma mãe vestir seu pimpolho, ou pimpolha, com roupinha de marinheiro? Eu fiz isso com minha filha aos 2 aninhos de idade e ficou um charme. Hoje, mais velhinha, ela me deu ordens expressas de não publicar fotos suas no blog, mesmo que em tenra idade. Uma pena, pois ela ficou uma gracinha. O jeito navy de se vestir foi propagado nos anos 1920 pela estilista Coco Chanel e nunca mais saiu de moda! 

Coco Chanel e seu estilo inconfundível sacramento o 'navy'

Chanel trouxe as listras dos uniformes dos marinheiros para o guarda-roupa das mulheres. Virou um estilo, do qual sou adepta e entusiasta. Até porque 'bleu-blanc-rouge' é uma combinação perfeita de cores. Daí, para incluir seu cãozinho no mesmo estilo da dona, foi um passo.
Vai dizer que não ficou uma gracinha?
Bem, meninos e meninas dos mares, orgulhem-se, portanto, de estarem no coração de tantas brasileiras há tanto tempo. E também nas bolsas, sapatos, acessórios, lencinhos etc etc. Agora que estava ficando bom, tenho de passar para a parte séria do post.  Vamos ao nosso bravo almirante.  :))

Almirante Tamandaré jovem. Chega de só aparecer velhinho nas fotos.

O Almirante Tamandaré, Joaquim Marques Lisboa, é o patrono da Marinha de Guerra do Brasil. A escolha de seu nome para Patrono não podia ser melhor, pois provou seu heroísmo em batalhas, em tempos de guerra, e seu sentimento de humanismo, em tempos de paz, como, ao socorrer o navio 'Ocean Monarch', incendiando próximo ao porto de Liverpool. Tamandaré resgatou mais de cem pessoas. Em 1850, salvou a tripulação da nau portuguesa 'Vasco da Gama', perdida e avariada ao largo da barra do Rio de Janeiro, depois de uma forte tempestade, quando afundava. Para ter esses atos de bravura, dois anos antes, em 1848, Tamandaré recebeu, na Grã-Bretanha, a fragata Dom Afonso, primeiro navio misto - a vela e a vapor - de grande porte da Armada Brasileira.

Dessa eu gostei... Eu mesma não sabia que algum dia existiu um navio “flex”! Desculpem-me, mas não me contive. :))

Durante esse comando em 1848 (o da fragata Dom Afonso), o Almirante Tamandaré teve a bordo os duques de Aumale, o chefe da esquadra almirante John Grenfell e o Príncipe de Joinville (uma cidade francesa do Haute-Marne), François Ferdinand Philippe Louis Marie d'Orléans, Almirante da Marinha Francesa, que é ninguém menos que o terceiro filho do Rei de França, Luís Filipe I de Orléans.

Permitam-me uma última besbilhotice ou mexerico... Como o mundo é pequeno, não?! O Príncipe de Joinville estivera no Brasil em 1843, quando se casou com a princesa D. Francisca de Bragança e Habsburgo, irmã de Dom Pedro II. O dote deste casamento foi um milhão de francos, ou seja, 750 contos de réis e ainda terras devolutas na Província de Santa Catarina, no Sul do Brasil, com 25 léguas quadradas. A história da cidade de Joinville fica para um próximo post, senão esse não acaba, OK?!

O Marquês de Tamandaré foi membro do Conselho Naval Superior já ao final do II Reinado. Grande amigo de Dom Pedro II, na proclamação da república entristeceu-se com a deposição do monarca, de quem foi despedir-se no caminho para o exílio. Dois meses depois pediu reforma, mas permaneceu no cargo de Ministro do Supremo Tribunal Militar, do qual exonerou-se poucos dias antes de morrer, no Rio de Janeiro, em 20 de março de 1897, com quase 90 anos. Seus restos mortais estão sob o monumento que foi erguido em sua homenagem na praia do Botafogo, no Rio de Janeiro. Joaquim Marques Lisboa – Marquês de Tamandaré, nasceu na Vila do Rio Grande, RS, em 13/12/1807.


Monumento ao Almirante (e Marquês) de Tamandaré na Praça da Marinha, na Praia de Botafogo, Rio de Janeiro, onde estão depositados seus restos mortais.

Testamento do Almirante Tamandaré
"Exijo que meu corpo seja vestido somente com camisa, ceroula e coberto com um lençol, metido em um caixão forrado de baeta, tendo uma cruz na mesma fazenda, branca, e sobre ela colocada a âncora verde que me ofereceu a Escola Naval em 13 de dezembro de 1892, devendo-se colocar no lugar que faz cruz a haste e o cepo um coração imitando o de Jesus, para que assim ornado signifique a âncora-cruz, o emblema da fé, esperança e caridade, que procurei conservar sempre como timbre dos meus sentimentos.
Sobre o caixão não desejo que se coloque coroas, flores nem enfeites de qualquer espécie, e só a Comenda do Cruzeiro que ornava o peito do Sr. Dom Pedro II em Uruguaiana, quando compareceu como primeiro dos Voluntários da Pátria para libertar aquela possessão brasileira do jugo dos paraguaios que a aviltavam com sua pressão; e como tributo de gratidão e benevolência com que sempre me honrou e da lealdade que constantemente à Sua Majestade Imperial tributei, desejo que essa comenda relíquia esteja sobre meu corpo até que baixe à sepultura.
Exijo que não se façam anúncio nem convites para o enterro de meus restos mortais, que desejo sejam conduzidos de casa ao carro e deste à cova por meus irmãos em Jesus Cristo que hajam obtido o foro de cidadãos pela Lei de 13 de maio. Isto prescrevo como prova de consideração a essa classe de cidadãos em reparação à falta de atenção que com eles se teve pelo que sofreram durante o estado de escravidão; e reverente homenagem à grande Isabel Redentora, benemérita da pátria e da humanidade, que se imortalizou libertando-os.
Exijo mais, que meu corpo seja conduzido em carrocinha de última classe, enterrado em sepultura rasa até poder ser exumado, e meus ossos colocados com os de meus pais, irmãos e parentes, no jazigo da família Marques Lisboa.
Como homenagem à Marinha, minha dileta carreira, em que tive a fortuna de servir à minha pátria e prestar alguns serviços à humanidade, peço que sobre a pedra que cobrir minha sepultura se escreva: 'Aqui jaz o velho marinheiro'.
Almirante Joaquim Marques Lisboa"


A Fragata Dom Afonso
Tal honraria, a de receber o comando de um dos navios mais modernos à época, já denotava o reconhecimento da Marinha Brasileira para com o oficial que, ao longo da História Naval do Brasil, representaria o modelo a ser seguido por todos os que abraçassem a carreira na Marinha.


A Fragata Dom Afonso

Ainda há tanto o que falar da Marinha do Brasil. Não me atrevi a tocar em outros assuntos como, Amazônia Azul, Projeto REVIMAR, Projeto BIOMAR, só para mencionar os dois de que sei da existência. Por hoje, quero agradecer aos Marinheiros e Marinheiras por terem aceitado o desafio de se dedicar às pesquisas no mar, pois as árvores e o verde da Amazônia são importantíssimos, mas são as algas azuis a peça fundamental para a sobrevivência humana neste planeta. Aquela velha máxima dos anos 70 de que a Amazônia é o pulmão do mundo, não é verdadeira. A Amazônia, assim como qualquer floresta verde, consome quase todo o oxigênio que produz. E no fundo, um pulmão, como o humano, não produz oxigênio, antes, o consome. É óbvio que não estou dizendo com isso que podemos sair pelas ruas cortando as árvores. Não se trata disso! As florestas verdes são importantes para filtrar os gazes da poluição, manutenção da temperatura e da pluviosidade locais. Porém, os oceanos são os verdadeiros responsáveis por grande parte do equilibrio ambiental do nosso planeta. São as algas marinhas o "pulmão do mundo". Sinto-me confortável para fazer esta afirmação, pois sou bióloga de formação desde 1982. O futuro do homem está no mar.



domingo, 12 de dezembro de 2010

Adriano, aconteceu de novo!

Mais uma vez, vou comentar o post no blog de um amigo, O Esporte, a Sociedade e o Mundo dos Negócios, com um post no meu blog. Fazer o quê, se o Adriano Berger levanta, com boa frequência, temas que “dão pano para mangas”?

Adriano, pior do que ficar atrás de países como o Uruguai, é saber que a meta estabelecida pelo MEC é menor do que a média geral da avaliação internacional. Isso me faz lembrar meus tempos de ginásio. No meu colégio, para um aluno passar de ano direto, sem provas finais, precisava tirar, no mínimo, 7.5 de média bimestral. Lembro-me que quando eu dizia isso para colegas meus de outras escolas, alguns ficavam surpresos. Uma vez perguntei o porquê da surpresa. A resposta me veio simples e objetiva. “Na minha escola (era uma escola pública) a média para passar direto é 5.0”. Na hora, fiquei sem saber o que pensar, pois não havia nada a ser dito. É mais ou menos isso que acontece com a média do MEC. Eu só gostaria de saber como o MEC chegou a esse número. Se não houver um argumento muito bem fundamentado (e eu acho que não tem), eu pergunto: por que não 396? Ou ainda, por que não 394? Será que é sorteio?! Devo rir ou chorar? Eu deveria pedir ajuda para dar uma surra, exatamente isso que vocês leram, uma surra bem dada, nessa gente que vive de emprego público, pago com o dinheiro do nosso imposto de renda, e ainda se acham no direito de (não)fazer esse tipo de coisa. Talvez eles até pensem que estão fazendo o certo. Isso é que me assusta!


Sinal dos tempos...

Quanto à média de países como o Quirguistão e Azerbaijão, penso que eles, sim, estão numa média esperada, pois eram repúblicas da ex-URSS até alguns anos e só agora começaram a renascer como nação independente. Também a Albânia, país socialista do leste europeu, que em 1990, se digladiou com os sérvios na região do Kosovo. Ou seja, estes países acabaram de sair de guerras.

Você acha constrangedora a meta do MEC para figurar apenas entre os países mais fracos? Isso porque você é um rapaz polido, pois, para mim, isso é uma indecência. O que mais te intriga é ver que o PAC não contempla as necessidades de ajustes salariais e a capacitação profissional do próprio Ministério da Educação? Como se a Aceleração do Crescimento não passasse, obrigatoriamente, pelo desenvolvimento educacional da população? Adriano, meu amigo, eu sei que você não é ingênuo e é um homem de inteligência prodigiosa. Realmente, não sei o bicho que te mordeu para você pensar que o PAC seria utilizado para os fins teóricos que o criaram.

O PAC foi feito, na realidade, para eleger “la dophine de Lulá” como diziam os jornalistas franceses. Onde ele seria aplicado, não importava muito. A relevância dele estava no fato de ser um dinheiro para prover com obras de maquiagem os estados nos quais mais alarde seria feito pelo acontecido. Foi o caso do Rio de Janeiro e os enfeites das favelas, tais como teleféricos, uma ou outra rua calçada, um campo de futebol (isso é de praxe), uma pracinha que terá seus brinquedos vandalizados em pouco tempo, e os famigerados apartamentos de frente para o mar do Pavão-Pavãozinho. Essas "frugalidades”, você me entende.


Agora que já estou eleita... O Mantega que aguente.

Realmente, não é surpresa nenhuma para nós que os primeiros colocados no ranking da OECD sejam China, Hong Kong, Cingapura, Coréia do Sul (os ainda tigres asiáticos) e a Finlândia (país dos aparelhos celulares).

O Professor Anísio Teixeira deve estar se revirando na cova ao ver como estão as crianças no Brasil, em termos de ensino. Ele, que foi “O inventor da escola pública no Brasil”, pioneiro na implantação dessas escolas em todos os níveis, pois elas refletiam seu objetivo de oferecer educação gratuita e de qualidade para todos. Um homem como esse, poucas pessoas conhecem ou sequer ouviram falar.


Professor Anísio Teixeira

Lendo os dois últimos parágrafos do seu post, preciso perguntar outra vez: Adriano, meu amigo, conte-me, não me esconda o nome do bichinho que te mordeu e te deixou assim... Digamos... Crédulo.

Ora, num país em que os candidatos usam o debate presidencial para agir como “prefeitinhos”, fazendo promessas de construir escolas, hospitais, prisões, casas populares, pracinhas e afins, em vez de debater, verdadeiramente, no nível presidencial, ou seja, pensar nas melhores políticas públicas para as diversas áreas estruturais que constituem toda sorte de problemas no país, o que você espera que seja feito? Respondendo sua pergunta, vamos sim, continuar no mesmo blá-blá-blá de sempre. Se os candidatos a presidente da república não sabem o que são assuntos da esfera de decisão deles (ou melhor, sabem, mas não lhes é conveniente executar) e vivem de promessas de campanha como se ainda estivéssemos no século XIX, é claro que a resposta é blá-blá-blá.

Cotas nas universidades?
O estabelecimento de cotas universitárias para negros é sim para “inglês ver”, como você mesmo disse, pois o problema educacional no Brasil, historicamente, nunca esteve nas universidades. Ele sempre esteve na educação de base. O ponto é que hoje, nem isso mais resolve, porque já se deixou não apenas o sistema educacional decair, mas deixou-se a sociedade se degradar em tamanha inversão de valores, que, às vezes, penso que estamos acoados num beco sem saída.
Entretanto, não vou ficar em nenhum dos extremos. Certamente, não a geração que aí está, tampouco a nossa, nem mesmo a geração da minha filha, que tem 27 anos, mas a geração da sua filha, que ainda é uma criança, diante de tantas questões que se apresentam atualmente para todas as sociedades deste mundo globalizado, vai repensar tudo o que já foi feito e, talvez, refazer do zero. Será que precisaremos ir tão longe para que o ser humano evolua moralmente?