terça-feira, 30 de novembro de 2010

Que edificação é essa? - Parte III

Esta é a terceira foto para identificarem a edificação em questão.


Tem algo escrito na fachada...


Que edificação é essa? - Parte II

Aqui vai mais uma pista para tentarem descobrir que edificação é essa da foto. Prestem atenção aos detalhes da foto, não apenas na edificação em si.

Onde será?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Que edificação é essa? - Parte I

Hoje encontrei uma série de cinco fotos antigas muito interessantes. Não me contive em brincar um pouco com vocês, leitores, através delas. São quatro fotos de uma edificação, que hoje já não existe mais, e uma última, explicativa. Vou postá-las uma a uma, não necessariamente uma por dia, senão vocês vão querer comer meu fígado por eu arrastar o mesmo assunto por uma semana inteira. Será que alguém saberia identificar a edificação de que estou falando, ao final dos cinco posts? 


Onde será isso???




domingo, 28 de novembro de 2010

Neuromarketing

Conceito
Neuromarketing é simplesmente o mais recente modismo para dizer que alguém venderá mais. Melhor ainda, que outros consumirão mais do que já consomem agora. Sempre houve um Santo Graal da publicidade para tentar alcançar as pessoas de uma forma hipodérmica. Que o digam os neuromarqueteiros, um grupo de pesquisadores emergentes que utilizam técnicas da neurociência para analisar as respostas das pessoas aos produtos e promoções. Ninguém, exceto os fanáticos do neuromarketing, acredita que sabe alguma coisa a mais do que o velho e simples marketing.

Aplicação
O pessoal da indústria de fármacos deveria estar mais interessado em ‘neuro’ e o resto da palavra deveria interessar a quem de direito, o pessoal do marketing.


Sem comentários, né?!
 
Metodologia
Em vez de ficar fazendo pessoas de cobaias com Imagem por Ressonância Magnética funcional (IRMf) para medir a quantidade de sangue oxigenado no cérebro, por que não lembrar-se de uma expressão de um professor de marketing que li há pouco tempo? Ahh... Nem me perguntem o nome, pois eu não me lembro, são tantos textos extraídos de tantos livros de tantos professores. E que diferença faz? Não estou querendo vender nada dele. A expressão é simples, chama-se “persuasão subliminar”.

E o que é persuasão subliminar, afinal?
A maioria dos pesquisadores definem persuasão subliminar como sendo mensagens que operam abaixo do nível de consciência, mas que, todavia, influenciam a forma como uma pessoa pensa, sente ou se comporta. Assim, para que exista persuasão subliminar, precisamos de três elementos:

1. Uma mensagem que não existe.
2. A mensagem deve estar abaixo do nível de consciência do seu receptor.
3. O receptor influenciado pela mensagem.

A resposta a isso faz fronteira entre duas certezas, a metafísica e a científica, de que as pessoas nunca desconhecerão suficientemente as mensagens por um período de tempo e frequência suficientes para que estas mensagens subliminares as influenciem. Compliquei mais do que expliquei? Então, vamos de novo. Mensagens subliminares apenas e tão-somente funcionam quando você não sabe que há uma “mágica” por trás. E não se pode esconder “espectáculos de mágica” por tempo e freqüência suficientes para que eles influenciem o consumidor (receptor da mensagem).

Se ainda estiver confuso, permitam-me um exemplo: entrem numa máquina do tempo e apertem o botão que diz “Alemanha 1933”. Não é difícil imaginar o que o Ministério da Propaganda faria com mensagens subliminares. E sem truques senhores e senhoras... Nada nessa mão, nada nessa outra mão. Eis aqui minha plataforma de campanha! Juntem-se ao Partido e vistam esta roupa. O resto é questão de tempo para o “cair de gravidade” da persuasão.

Ora, mas isso não é uma história de “neuromarketing”, essa é uma história de persuasão. Exatamente, mas você tem de se preocupar com a natureza humana.


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Esta não é a minha cidade

Os jornais no mundo noticiaram a "Guerra" carioca.

Le Figaro – Paris
Scènes de guerre dans les favelas de Rio
Depuis cinq jours, les affrontements entre forces de l’ordre et narcotrafiquants sèment la panique dans plusieurs quartiers de la mégalopole brésilienne.

El Mundo – Madrid
Violencia - Al menos 41 muertos desde el domingo
La policía asedia la favela en la que se esconden los 'narcos' expulsados

Interessante foi que eu trouxe de Paris em maio deste ano um exemplar da revista "Le Point Affaires", com data de 06/05/2010. Na capa da revista está estampado em letras garrafais “Spécial Brésil, le Nouvel Eldorado”, 21 pages. E a capa mostra a modelo, de quem nunca ouvi falar, Adriana Lima. São vários artigos elogiosos ao Brasil, como por exemplo, “A la Conquête de l’Amazonie” (À Conquista da Amazônia), e ainda, o que eu mais me indignei de ler “Le Bonheur est dans la favela” (A felicidade está na favela), mostrando dois casais de turistas no alto de uma “laje” (no meu tempo havia mirantes nas cidades... Go figure!) no Morro Dona Marta admirando a vista belíssima do mar.
Diante dos acontecimentos desta semana, não há muito o que dizer, basta mostrar o que se passou na cidade. No slideshow, inseri fotos da ocupação norte-americana no Iraque, das tropas do Exército Brasileiro no Haiti e do Rio de Janeiro no... Na... Que nome dar a isso? Ora, mas isso, definitivamente, é inominável.


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Urca e o “Fora IED”

Bom dia, caros leitores. Espero que estejam preparados para as aventuras da segunda parte de uma história que começou século XVI... Mas que só no início do século XXI chegou ao seu clímax. Vamos a ela.

A Urca é um bairro residencial, cortado por ruas arborizadas. A avenida Pasteur abriga hoje o Iate Clube do Rio de Janeiro e as instalações da UNIRIO, Instituto Benjamin Constant e parte da UFRJ. Na Praia Vermelha, estão o Instituto Militar de Engenharia (IME), a Escola de Comando de Estado Maior do Exército, a pista de caminhada Cláudio Coutinho e a estação do primeiro estágio do Bondinho do Pão de Açúcar. A denominação, delimitação e codificação do bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280, de 23 de agosto de 1985.

Bem, caros leitores, mais uma vez numa virada de século, a Urca passa por um conflito, que faz parte da sua evolução. Agora, não são as lâmpadas elétricas que estão chamando a atenção da população, mas algo que, até o dia de hoje, apesar de muito tentar, não consegui saber: os reais motivos para tamanha “gritaria”, ou para ser mais moderninha, o motivo verdadeiro desse buzz quanto à ida do IED para o prédio do Cassino sa Urca. Só na semana passada fiquei sabendo desse “babado” todo que, pelo que dizem os jornais, já se arrasta desde 2006. O fato é que, desde o fim da TV Tupi, a construção do prédio que a abrigava tornou-se um elefante branco, abandonado há mais de vinte anos, transformando-se em ruínas a olhos vistos. Um verdadeiro cartão de visitas da Urca.




No fim de semana passado, depois que soube da notícia e comecei a pesquisar para fazer este post, entrei no blog “Urca Sim” e deixei um comentário sobre a polêmica notícia: “JB ON LINE LEIAM COM ATENÇÃO!!!!!!!!”(sic). O referido artigo foi postado em 15 de junho de 2010. Os comentários naquele blog são moderados. Entretanto, até o dia de hoje, não foi publicado.

 
 

Bem, agora vamos falar um pouo da AMOUR – Associação dos Moradores da Urca. Através do veículo oficial da AMOUR que fica em HTML no endereço http://www.amour.org.br/urca-legal.htm, pude observar que eles têm três problemas “maiores”.
  • O 1º é o caso do Bar Belmonte, na av. Portugal, 986. Como todos os links para este caso estão desativados e o bar estava em pleno funcionamento na semana passada, quando estive na Urca, entendi que este não deve ser mais um “problema”.
  • O 3º problema vai ter de ficar para uma outra oportunidade, pois trata-se de caso longo, entretanto, parece-me, pertinente. 
  • O 2º é o caso do Instituto Europeu de Design - IED. Neste caso, os links estavam ativos (um deles é o blog da “Urca Sim”) e pude verificar que, dentre os links, um é o que nos leva à resolução do Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, é a RESOLUÇÃO Nº01-19ª RO - 09/07 de 27/09/2007 do IAB-RJ. Nesta resolução observei alguns pontos em forma de histórico, que julguei interessante tomar conhecimento.

1. No início dos anos 80, com o encerramento definitivo das atividades da TV Tupi, os proprietários do imóvel – espólio dos “Diários Associados” - passaram a alugar os espaços internos do prédio para fins diversos, especialmente filmagens e gravações de novelas, sem a menor preocupação em manter conservada a aparência externa da edificação.

2. Em 1986, após a frustrada tentativa de demolir o prédio do Cassino da Urca para a construção de um hotel (Holliday Inn), o então Prefeito Saturnino Braga tombou provisoriamente o prédio, através do Decreto Municipal 6138 de 08/10/1986.

3. Em 03 de março de 1988, pelo Decreto Municipal nº7451/1988 que criou a “Área de Preservação do Ambiente Cultural da Urca” para preservar as características ambientais urbanas e culturais do bairro, foi feito o tombamento definitivo de diversos bens de valor cultural no bairro, entre eles, a amurada e o prédio do antigo Cassino da Urca. O referido decreto, em seu artigo 1º, inciso I, cita como bem tombado o “imóvel situado na Avenida João Luiz Alves, 13, antigo Cassino da Urca, incluídas todas as suas dependências remanescentes do projeto original”.

Aqui quero fazer um comentário. Lendo o item 3, acima, entende-se que o decreto municipal de 1988, citou o prédio do antigo Cassino da Urca como bem tombado sem a certeza do fato, visto que o prédio só foi, efetivamente, tombado em junho/2009.

4. Em 01/01/2001, o imóvel foi declarado pela Prefeitura como de utilidade pública para fins de desapropriação pelo Decreto Municipal nº19.444. Desde então, muitas propostas foram apresentadas para a ocupação do prédio sem, contudo, lograrem êxito por diversos motivos, especialmente por aqueles relacionados ao impacto causado no meio ambiente urbano e ao aumento efetivo do fluxo de veículos que circulariam e estacionariam no bairro.

Vejam que não saímos do mesmo argumento, que a mim parece ser o único, “impacto causado no meio ambiente urbano e ao aumento efetivo do fluxo de veículos que circulariam e estacionariam no bairro”.

5. Em 2004, a Prefeitura apresentou o projeto para recuperação do imóvel destinado à criação do “Museu do Rio”. Durante a apresentação feita pelo autor do projeto, o arquiteto Alcides Horácio, foi levantada uma série de questões consideradas relevantes, entre as quais se destacavam, especialmente: 
  • O fato de que a criação de um auditório com 400 lugares acabaria por atrair um grande contingente de público externo e destruiria completamente o “grill” do antigo Cassino da Urca;
  • A proposta do estacionamento de veículos sobre a laje de cobertura do prédio (terraço), o que eliminaria os telhados originais;
  • A radical alteração sugerida em relação ao desenho original da fachada, voltada para a praia, do antigo Cassino da Urca, o que descaracterizaria o prédio; 
Comentário meu: “o que descaracterizaria o prédio, que já foi descaracterizado dezenas de vezes”. Isso para mim já nem é mais argumento. Mas não sou a juíza.
  • A criação de uma passarela suspensa sob o passadiço que ligava os dois blocos da edificação e que alteraria, destacadamente, o conjunto edificado.
6. Em 27/12/2004, as obras de demolição interna e externa do remanescente da TV Tupi foram iniciadas sem os cuidados inerentes a um bem tombado:
  • As considerações apontadas durante a apresentação do Projeto haviam sido desconsideradas na elaboração do projeto executivo;
  • As obras de demolição interna e externa do remanescente da TV Tupi foram iniciadas sem os cuidados inerentes a um bem tombado:
  • O local onde eram realizados os shows do antigo Cassino da Urca e o “Grill” ficaram parcialmente destruídos;
  • Salvaram-se apenas alguns elementos originais como a volumetria do palco, o fosso e partes da estrutura do balcão e cobertura, que permaneceram íntegros até hoje;
  • Perderam-se, contudo, as escadas de acesso ao balcão que foram totalmente demolidas. Em verdade, nunca se deu a conhecer o projeto executivo que estava sendo realizado.
7. No final de março de 2005, portanto apenas alguns meses após o início das obras de demolição e com 75% dos serviços executados, a obra foi interrompida por motivos não divulgados. O prédio permanece, desde então, em péssimo estado de conservação e de aparência, tanto interna como externamente.
8. Em 02 de agosto de 2006, foi assinado um “Termo de Cessão de Uso”, pelo qual a Prefeitura cede o imóvel ao Instituto Europeu de Designa - IED, por um prazo inicial de 25 anos, renováveis por mais 25 anos. Além das diferentes modalidades de cursos regulares a serem oferecidos pelo IED, a Prefeitura obriga a cessionária a realizar uma série de atividades gratuitas e abertas para garantir o caráter de utilidade pública que justificou a desapropriação do imóvel. Incluem-se, neste caso, a realização de eventos, mostras, concertos, peças teatrais, seminários, entre outras atividades concentradoras de público e geradoras de intenso tráfego de veículos.
9. Em 12 de março de 2007 é protocolado, pelo representante do IED, junto à Superintendência de Parcelamento e Edificações da Secretaria Municipal de Urbanismo - SMU, requerimento pela aprovação de projeto e licenciamento de obras para “modificação com acréscimo e reforma do prédio do antigo Cassino da Urca”.
10. Em 19 de maio de 2007 é concedida “Licença de Reforma de Bens Tombados”, antecipando-se à apreciação do projeto pelo IPHAN, aparentemente descumprindo o que estabelece a legislação que envolve bens tombados federais. Na licença concedida consta a seguinte observação: “a presente licença se refere exclusivamente à reforma da edificação tombada, sendo que as modificações e acréscimos serão objetos de licenciamento posterior”.

Daqui para frente o tema tornou-se um caso jurídico. Até que em setembro de 2007 o tema ganhou espaço perante à opinião pública através da publicação de “Cartas dos Leitores” e de reportagens no jornal “O Globo” tendo destaque em matéria de capa na “Revista Veja Rio” de 19/09/2007.

Em junho de 2009, finalmente, o tombamento do Cassino da Urca foi aprovado pela Câmara dos Vereadores, por 30 votos a zero, derrubarando, desse modo, o veto do prefeito Eduardo Paes. Caso seja sancionado pelo prefeito Eduardo Paes, o projeto será mais um empecilho à implantação do Instituto Europeu de Design - IED no local. O projeto, do vereador Eliomar Coelho (PSOL), entrou na Ordem do Dia mais de oito vezes, mas era retirado a pedido da prefeitura. Foram tombados também a Amurada, o Quadrado da Urca e a Ponte da Avenida Portugal. Eliomar disse não ser contrário à vinda do IED para o Rio, "mas (ele) definitivamente não pode se instalar na Urca. O prédio do Cassino da Urca deve ter outra utilidade, ligado necessariamente à história do bairro". Para o vereador, "o Instituto acabaria por transformar para pior o dia a dia dos moradores do pacato bairro".


Para aqueles que me conhecem é fácil imaginar a minha cara de indignação perante um argumento desses. Senti uma vontade súbita e incontrolável de apertar o pescoço deste senhor.

É interessante observar o seguinte, eu gostaria de ver como se desenvolveria o desenrolar dos fatos se esta situação estivesse acontecendo em um bairro da zona norte carioca, num subúrbio como, por exemplo, em Madureira, Cascadura, Ramos, Penha, Méier etc. O que vocês acham? Será que o Sr. Vereador Eliomar Coelho, seja ele do partido que for, se dedicaria sobremaneira à causa? Como diria minha mãe, “dou minha cara a bofetadas” como seria totalmente diferente. Por que o sossego das ruas do Méier pode ser quebrado por toda a sorte de estabelecimentos e o da Urca não? Entendam bem, eu NÃO DISCORDO da manutenção do sossego e da tranquilidade da Urca. Aliás, sempre foi meu grande sonho de consumo morar na Urca. Só penso que os moradores do bairro estão “gritando” além da conta nesse caso. Desejo apenas chamar a atenção dos leitores para o fato de que, se a discussão fosse num bairro da zona norte, os veículos de comunicação, os vereadores e o poder público não estariam se preocupando com o mesmo emprenho com que fizeram no caso da Urca. É nisso que me bato. Os direitos, não só no Rio de Janeiro ou no Brasil, mas no mundo inteiro, definitivamente, não são iguais para todos. Isso é fato.

O blog “Urca Sim”, no qual não há o nome de um responsável pelo que é escrito ali, destaca um texto lamentável, que transcrevo abaixo. Aqui NÃO Cabe o IED Esta é uma tribuna livre para moradores e amigos do bairro da Urca e da cidade do Rio de Janeiro, mobilizados para impedir a ilegalidade da instalação do IED - Instituto Europeu de Design, no prédio do ex-Cassino da Urca. Este prédio está sendo presenteado, de forma não-transparente, ao IED, pela Prefeitura, sem licitação e sem a realização prévia, como exigido pela lei, dos estudos de impacto ambiental. É um caso de cegueira intencional de nosso “césar” que, pretendendo ser um “homem de visão” confunde, uma vez mais, ética com ótica. A comunidade da Urca e os cidadãos conscientes da cidade do Rio de Janeiro repelem e combatem, com veemência, esta tentativa de estupro.

Gente que não assina embaixo daquilo que diz ou, o que é pior, daquilo que escreve, para mim, não é merecedora de respeito, pois que, com essa atitude, não respeita o seu próximo. Proponho agora uma rápida reflexão. Eu nasci, cresci e vivo até hoje na Ilha do Governador, lugar que, apesar de maltratado, eu adoro. Imagem os leitores, se eu, julgando-me “dona” da Ilha, cooptasse outros insulanos para impedir uma sandice qualquer no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro... Como se sentiriam os moradores da Urca, impedidos de entrar ou sair da cidade ou do país através do aeroporto do Galeão?

Com a palavra a outra parte - IED divulga sua posição
O IED – Istituto Europeo di Design – disse, em nota, que tem consciência da importância da obra que está realizando no Cassino da Urca, e está “preparado para enfrentar as dificuldades que uma empreitada como esta ocasionam”. Segundo a nota, o instituto aceitou a oferta da concessão do prédio pela prefeitura do Rio e planejou investimento para transformar as “ruínas do Cassino novamente em motivo de orgulho para os moradores da Urca e para os cidadãos cariocas”. “Os passos realizados até agora foram feitos no pleno respeito dos processos de lei, e em nenhum momento o IED foi solicitado a apresentar o projeto para o IPHAN”. “Na verdade, num primeiro momento, a altura do prédio do lado da praia será reduzida, pois haverá a demolição do segundo andar construído pela TV Tupi”, diz a nota. O IED informou que a restauração será feita em duas fases: a primeira, do lado da praia, será concluída em 2008; a segunda, que inclui o prédio ao lado do morro da Urca, está prevista para 2011. E garantiu: o instituto “cumprirá, seguramente, todas as determinações dos órgãos reguladores do município como o IPHAN, quanto à altura, características arquitetônicas e paisagísticas e volumetria”.


Para finalizar, transcrevo parte do texto publicado em 25/09/2007, no fotolog “foi um RIO que passou”, de André Décourt, um dos amantes da história do Rio Antigo (assim como eu) que vai até o fim em suas pesquisas. Assim como o dele, outros fotologs sobre o Rio Antigo são mantidos com primor por outros amantes dessa cidade que já foi maravilhosa.

“Polêmicas à parte, a ida do IED (para a Urca) é uma chance de o prédio ser restaurado, e BEM restaurado, além de ter uma utilidade para a cidade. É importante ser realista e constatar que qualquer atividade a ser levada para a edificação ganhará a reclamação dos moradores da Urca com a desculpa do impacto viário. De terreiro de macumba à igreja evangélica, qualquer atividade no prédio provocará o afluxo de pessoas de fora do bairro, que irão de carro, táxi ou ônibus, pois a Urca se localiza num extremo da cidade e não é servida por transporte de massa. Imagino que a TV Tupi nos anos 50 e 60, e mesmo nas noitadas do cassino, deve ter havido um grande número de pessoas ao bairro. Imagino os ônibus “das macacas de auditório” nos tempos da TV Tupi, ou a movimentação de automóveis de artistas, técnicos e executivos da emissora. No meu ver o único modo de não causar impacto é fazer do prédio um dispositivo urbano que só atenda os moradores da própria Urca, pois essa será a única maneira de não trazer ninguém de fora, nem causar impacto viário. Mas isso é egoísmo “urbano”, nesse caso é melhor derrubar tudo e fazer uma praça…. Infelizmente !”


O egoísmo a que o André se refere, na minha visão, não passa mesmo é de soberba, que traz com ela a arrogância e a presunção. Um bairro de uma cidade não é propriedade de seus moradores. Os logradouros são públicos. Moradores de qualquer outro bairro carioca podem e devem visitar a Urca, sim. A Urca é um bairro da cidade do Rio de Janeiro e, portanto, ela pertence a todos os cariocas.

Minha designer preferida diz Sim para o IED


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Início De Uma História Notável

Hoje vou contar a primeira parte de uma história que é mais ou menos assim...
Depois que Estácio de Sá expulsou os franceses, a Cidade foi transferida para o Morro do Castelo, situado no atual bairro do Centro.
Agora vamos dar um grande salto no tempo e vamos parar no finalzinho do século XIX, pouco depois de “proclamada” a república no Brasil. Na virada do século, a Belle Époque estava efervescendo em Paris. Entramos no século XX, e um prefeito chamado Pereira Passos faz uma verdadeira revolução no Rio de Janeiro, transformando-o numa “Paris tropical”. Com as reformas de Pereira Passos, a cidade estava pronta para representar o Brasil e exibir toda a sua exuberância. A intenção era atrair o olhar estrangeiro, visando buscar libras e francos para consolidar, ainda mais, a independência. Então, em 1908, acontece a Exposição Nacional, realizada na Praia Vermelha, entre os morros da Babilônia e da Urca. Essa exposição pretendeu, além de comemorar o Centenário da Abertura dos Portos, mostrar para o mundo, a beleza e as qualidades da moderna capital da jovem República brasileira.
Nesta época, a revista Kosmos registrou a admiração geral da população: "Parece-nos ainda um sonho este inesperado aparecimento da pequenina cidade de palacetes nas areias da Urca. É a grandiosa Feira Nacional, que o presidente Affonso Penna organizou, sob o louvável pretexto de comemorar o Centenário da Abertura dos Portos do Brasil ao comércio mundial".
Contam os jornais da época que "em pouco tempo a Praia Vermelha transmudara-se por completo. Toda a área compreendida entre o fim da Rua General Severiano e o antigo edifício da Escola Militar, onde pouca coisa havia a divisar, além do vasto casarão do Hospício Nacional de Alienados e a deserta Praia da Saudade (onde hoje é o Iate Club do Rio de Janeiro), transformou-se, como por encanto, numa cidade, verdadeira fantasia de mil e uma noites". Montaram-se dois restaurantes, um teatro, cervejarias e café, além de uma pequena via férrea, para que o público pudesse locomover-se em trenzinhos. Vejam algumas das fotos da Exposição Nacional de 1908 na Urca.


A Exposição foi inaugurada dia 11 de agosto de 1908: "Às dez horas da noite começaram os fogos de artifício. Dezenas de foguetes subiram, iniciando-se a queima de fogos de maravilhoso efeito. Durante uma hora inteira foi uma sucessão de encantos intraduzíveis". Conta o historiador Brasil Gerson: “o que despertou maior admiração na exposição foi a multiplicidade das suas lâmpadas elétricas, num esplendor nunca visto pelos cariocas, e o cinema do pioneiro dos exibidores, Paschoal Segreto, que na sua tela da Urca surpreendeu o auditório com o primeiro documentário digno desse nome sobre o Rio, tirado do Pão de Açúcar, por Emilio Guimarães, que havia subido corajosamente como um alpinista com sua máquina ao ombro".

Ocupação da Urca
A área que hoje se conhece como o bairro da Urca foi criada entre 1910 e 1922, por meio de aterros, ao longo da orla voltada para a tranqüila enseada de Botafogo. No início, existiam, apenas, as águas da enseada que acompanhavam o costão do Morro da Urca em sua face oeste. Por ele passava um caminho que levava ao Forte São João e que hoje corresponde à avenida São Sebastião.
No fim do século XIX, o português Domingos Fernandes Pinto adquiriu uma pedreira escavada no Morro da Urca, onde só se podia chegar de barco. Depois, firmou com dois sócios um contrato com a Intendência Municipal para implantação de um cais no local. Foi feito um enrocamento com uma ponte precária na área do “Quadrado da Urca”, que é atualmente um lugar onde os pescadores deixam seus barcos flutuando nas águas de uma marina informal.
Em 1921, durante o governo do Prefeito Carlos Sampaio, foi concluído o “Quadrado da Urca”; inaugurada a avenida Portugal e aterrada a área cercada pela murada de granito ao longo da costa, até o portão do Forte São João. Nesta época foi feito, também, o atual arruamento.



Em 1926 tudo era tranquilidade nas águas artificiais da Praia do Hotel Balneário da Urca


Tudo era ingenuamente saudável nos anos 20 no Hotel Balneário da Urca

Até o banho de sol das crianças era tranquilo naquela década do século XX

O Hotel Balneário da Urca e o Cassino da Urca
Entre 1920 e 1923 foi criada, artificialmente, a Praia da Urca e erguido nela o Hotel Balneário da Urca. O Hotel, com 34 quartos, entrou em decadência nos anos 30 e, em 1933, foi transformado em hotel-cassinho.

Aqui o "The Very Beginning" do Hotel Balneário da Urca

Hotel Balneário da Urca em 1928

O empresário visionário Joaquim Rolla

Em 1934, o empresário Joaquim Rolla (o mesmo que, em 1941 abriu o Cassino Quitandinha em Petrópolis) comprou o cassino e transformou-o no Cassino Balneário da Urca, que, além de funcionar como um cassino, apresentava espetáculos, com grandes artistas nacionais e internacionais.

Cassino da Urca nos anos 40 com a fachada da praia não mais arrendondada e já quadrada.


Há 71 anos, a representante do Distrito Federal (RJ), Vânia Pinto, era eleita Miss Brasil de 1939, no Cassino da Urca.


Nilo Chagas, Dalva de Oliveira e Herivelton Martins no Trio de Ouro

Neste palco era comum a presença de grandes atrações internacionais como Bing Crosby, Toni Bennett, Amália Rodrigues, Carmen Miranda e Edith Piaf. Dos artistas nacionais tínhamos Virginia Lane, Grande Otelo, Emilinha Borba, Marlene, Linda Batista, Dircinha Batista, Heleninha Costa, e Dalva de Oliveira o crooner e pianista Dick Farney, com uma das vozes mais aveludada que conheci, entre muitos outros famosos. Eram tempos de glória para os artistas no Rio de Janeiro. A época coincidia com a “era de ouro do rádio”, principalmente da Rádio Nacional, e seus artistas apresentavam-se em espetáculos de nível internacional. Tudo era uma alegria só.

Carmen Miranda e o Bando da Lua eram atração especial no Cassino no final doas anos 30.

O Governo do Marechal Dutra
Então... Em 1946, no governo do Presidente Eurico Gaspar Dutra, aconteceu um fato inesperado. A primeira-dama, Carmela Leite Dutra, 30 anos, viúva de outro militar e com dois filhos, esposa em segundas núpcias do presidente da república, Marechal Eurico Gaspar Dutra, já ostentava o apelido que canonizou em vida essa feroz guardiã dos bons costumes, Dona Santinha. Nossa primeira-dama à época fez um pedido a seu marido. Comenta-se que, aliada à Igreja, Dona Santinha, que tinha uma grande “influência” sobre o marido (se é que me faço entender... rsrs), começou um lobby contra os badalados jogos de azar.

O presidente Eurico Dutra e a primeira-dama, Carmela Dutra, sua esposa a "Dona Santinha", para quem o marechal não negava os pedidos.


O "antro de pecados" de Dona Santinha trazia ao Cassino da Urca gente como Orson Welles, nesta foto de 1943.

Carmen Miranda fazia parte do flagelo que se fazia imperativo de um urgente saneamento social

Esses lugares luxuosos, “antros do pecado” para dona Santinha, atraíam, desde a década de 30, famosos e anônimos que queriam jogar, aparecer e ver shows de grandes nomes, como Carmen Miranda e Orlando Silva. Enquanto as mulheres exibiam seus vestidos caríssimos, os maridos jogavam suas fortunas nas mesas de jogo. A insistência de Dona Santinha ganhou a ajuda de uma série de reportagens de capa do jornal O Globo (sempre ele) em abril/1946, que, pela primeira vez, mostrou fotografias de um cassino funcionando, o Atlântico, em Copacabana (hoje ali funciona o Shopping Cassino Atlântico). Durante todo o mês de abril, O Globo escreveu, entre outras coisas, que a extinção daquele "flagelo" era um "imperativo urgente do saneamento social". As fotos foram feitas pelo fotógrafo Jean Manzon, de O Cruzeiro, mas o dono da revista, Assis Chateubriand, recusou-se a publicá-las. Manzon vendeu o material ao jornal carioca, desvendando o “inferno do jogo”. Isso produziu um escândalo tão grande quanto o que envolveu José Dirceu e seu assessor Waldomiro Diniz, que, para muita gente, foi o verdadeiro motivo encontrado pelo presidente Lula para fechar os bingos. E quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar? Como sua “influência” sobre o presidente Dutra era grande, o desejo foi atendido. Em 30 de abril de 1946, o decreto-lei 9215 fechou os cassinos de todo o Brasil. Quando foram proibidos, os cassinos eram mais de 70 no país, concentrados no Rio de Janeiro e em hotéis do sul de Minas Gerais, onde Getúlio Vargas costumava se hospedar. Isso sem contar que, dizem as más-línguas, o ex-presidente frequentava o Cassino da Urca para assistir aos shows de sua vedete preferida, Virgínia Lane.

Virgínia Lane, a vedete preferida de Getúlio Vargas, nos palcos do Cassino da Urca.
 

Os Anos Dourados da Urca
Joaquim Rolla, que era proprietário, além da Urca, também do Hotel Cassino Icaraí, em Niterói (atual sede da UFF), de hotéis-cassino em Araxá, Lambari e do Hotel Cassino Quitandinha em Petrópolis, entre outros, perdia o direito a explorar os jogos de azar, mas não os espetáculos e as boates. Isso porque o decreto não criava obstáculos ao funcionamento das diversões. Mas se a Urca e o Icaraí foram desativados, o mesmo não ocorreu com o Quitandinha, que continuou como hotel. Aliáis, sobre o Quitandinha, é importante registrar, como declara Carlos Machado, em suas memórias, que Rolla pretendia construí-lo na Praia Vermelha, aumentando o complexo de diversões na área da Urca. Vale lembrar a todos algo de que, geralmente, não se costuma falar. Sempre que o prédio do antigo hotel balneário mudava de mãos, passava por modificações flagrantes em sua planta, que criaram vários formatos, do abaulado ao quadrado.


Hotel Balneário da Urca pouco depois da sua inauguração nos anos 20. Notem a expansão do imóvel para as laterais, os toldos com estrutura metálica.
Na foto acima podemos observar que a parte que sofreu poucas modificações ao longo dos anos foi a que se encontra junto à encosta e o pergulato que atravessa a Av. João Luiz Alves. Essa parte do prédio mantém praticamente toda a decoração da fachada, como os capitéis das colunas e boa parte do gradeado de alvenaria no topo do pergulato, mesmo tendo ganhado um horroroso pavimento extra nos tempos da TV Tupi.
A foto mostra o balneário logo após sua inauguração nos anos 1920. O prédio junto à praia se mantinha no formato da inauguração, alinhado junto à grande pérgula sobre a avenida. O curioso é que já se pode ver o embrião da expansão do imóvel para as laterais, os toldos com estrutura metálica. Pouco depois, esses toldos foram transformados em duas alas de varandas, uma de cada lado da parte frontal do prédio, em madeira com grandes janelões, conforme pode-se observar na foto abaixo. Daí para expansão definitiva do prédio sobre a praia foi um pulo, até chegar ao seu formato atual.


Nesta foto já podemos ver as duas alas de varandas, uma de cada lado da parte frontal do prédio, em madeira com grandes janelões.

Na Praia Vermelha funcionou também desde os anos 40, na casa onde hoje se encontra o Círculo Militar, o Bar Restaurante e Boite Praia Vermelha, que anunciava possuir ar condicionado e exigia traje a rigor aos sábados. Anos depois, o empresário da noite Carlos Machado arrendou o local para montagem de grandes espetáculos, trocando o nome da boate para Casablanca.

O famoso Grill do Cassino da Urca.

Um Free ticket para o Grill Room e Cassino

Esse ticket não era para qualquer um mesmo! "Splendid dinner-dances every night in the Grill Room" e ainda "floor-shows offered to select public"... Podre de chic, não?!

Ao mesmo tempo em que a Praia Vermelha era um reduto de diversões noturnas nos anos 50, na casa construída sobre os restos da muralha do forte levantado no século XVIII, o prédio do Cassino da Urca, voltou a ser ocupado. Dessa vez pela maior novidade em comunicações lançada no Brasil em 1950: a televisão. Em 1952, a TV Tupi, canal 6, dos Diários e Emissoras Associados, transferiu seus estúdios do Centro da cidade para a Urca. A Tupi descaracterizou o prédio, tapou as janelas com tijolos e construiu um outro andar. A rede Tupi saiu do ar, suas portas foram fechadas e sua sede lacrada,e assim permaneceu...por mais de 26 anos.


Assis Chateaubriand, magnata das comunicações no Brasil entre o final dos anos 1930 e início dos anos 1960, dono dos Diários Associados, o maior conglomerado de midia da America Latina.


A TV Tupi mudou-se para o prédio do antigo Cassino da Urca que, em 1950, ainda estava em boas condições.

J. Silvestre em O Céu é o Limite

Flávio Cavalcanti
No prédio do hotel-cassino, a Tupi realizou adaptações e no antigo palco de espetáculos, realizou programas musicais, como o famoso Espetáculos Tonelux. O auditório sediou programas como A–E–I–O–URCA, O Céu é o Limite de J. Silvestre, ou os de calouros, animados por Ari Barroso ou Flávio Cavalcanti. Finalmente, em julho/1980, a TV Tupi, que já agonizava mergulhada em dívidas e má administração, foi tirada do ar por ordem do governo federal que cassou a concessão. Desde então, o prédio está abandonado.

Bem, caríssimos leitores, vou dar uma pausa na nossa história para que vocês descansem suas mentes e corações para amanhã, quando contarei a parte mais moderna e curiosa da história, pois, como eu disse, tudo começou quando Estácio de Sá, em janeiro de 1567, expulsou definitivamente os franceses da Mui Leal e Heróica Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

 

domingo, 21 de novembro de 2010

Comer à francesa é cultura

Inédito na história da gastronomia: UNESCO reconhece a “refeição gastronômica francesa” como Patrimônio Imaterial da Humanidade.

A elegância da tradição francesa
Nunca antes a prática em torno dos alimentos e da cozinha havia sido reconhecida assim. Reunido em Nairóbi, Quênia, o Comitê Intergovernamental da UNESCO reconheceu no dia 16 de novembro de 2010 que o jeito de comer dos franceses é, sim, um elemento de civilização.
O interessante é que não se trata de premiar a cozinha francesa como tal, mas a forma como os habitantes do país se comportam à mesa, o seu ritual caracterizado pela sequência de entradas, pratos, queijos e sobremesas, servidos com louças, talheres e taças adequados, com especial atenção à apresentação e à harmonia com os vinhos. E até mesmo a preocupação em distribuir bem os convivas à mesa, com aquelas plaquinhas indicando o nome e o lugar onde devem se sentar. Tudo contribuindo para o prazer de todos e valorizando o que chamam apropriadamente de l’art de la table.


Foto: Divulgação Julie&Julia / Amazon Books
Julia Child, interpretada por Meryl Streep, não ficou imune à l’art de la table

Para a UNESCO, isso reflete “um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo para promover o respeito pela diversidade cultural e a criatividade humana.” Isto é, a refeição gastronômica estimula o círculo famíliar e consolida os amigos, reforçando os laços sociais.
Jean-Robert Pitte, presidente da Universidade de Paris IV - Sorbonne - e da Missão Francesa do Patrimônio e Culturas Alimentares (MFPCA), fez esta definição: "A refeição gastronômica é parte da identidade profunda do povo francês. Ela existe em muitos outros países. Mas nós temos uma forma específica de gastronomia, com esse casamento de comida e vinho, a sucessão de pratos, esta maneira de pôr a mesa, de falar sobre a gastronomia, que são especificamente francesas".


Foto: Divulgação / Atout France

A escolha dos queijos, ponto fundamental da refeição
Meu interesse por comida e vinho, assim como a de muitos estrangeiros, como a famosa americana Julia Child, nasceu justamente na França, quando lá morei, ao perceber um respeito quase sagrado dos franceses pelas tradições culinárias do país. São capazes de discorrer prazerosamente sobre os pratos servidos e dedicar-se na busca do melhor vinho para acompanhá-los. E, principalmente, prestam atenção ao que comem e bebem, em refeições sem pressa que se tranformam em gestos repetidos de bem-estar. Uma lição nesse frenético mundo em que vivemos.

Fonte: Mauro Marcelo - canalluxo@ig.com.br - É jornalista, crítico gastronômico, escritor e chef de cozinha. Especialista em vinhos, foi também editor do Guia 4 Rodas e da revista Gula.


sábado, 20 de novembro de 2010

O Que é Socialmente Justo?

Vamos todos parar para pensar e, mais do que isso, refletir. No dia 02 de setembro, postei aqui o texto “Jardim Botânico, uma nova favela?”. Nele eu falava do projeto de lei, de autoria dos vereadores Adilson Pires (PT), Reimont (PT) e Eliomar Coelho (PSOL), para a criação da Área de Especial Interesse Social (AEIS) do Horto, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, para fins de urbanização e regularização fundiária. Esta notícia, já era antiga em 02/09/2010. Ontem, 19/11/2010, o jornalista Marcos Sá Correa, publicou a matéria transcrita abaixo.

Não aguento mais, eu quero um Rio sem favelas !

Que belo horto para plantar favela
Veterano de lutas contra o patrimônio público no Rio de Janeiro, o deputado Edson Santos presenteou a cidade nesta antevéspera de Natal com um texto irrefutável. Não dá para refutá-lo, porque cada palavra do texto colide com a seguinte, o que é admirável mesmo para uma época em que os políticos brasileiros conquistaram a prerrogativa de dizer qualquer coisa.
A primeira frase de Edson Santos vai diretamente ao ponto final. Ela declara que "é perfeitamente possível conciliar a permanência dos moradores do Horto Florestal com a expansão da área de visitação do Parque Jardim Botânico, também conhecida como arboreto". Pode-se parar por aí. Para começo de conversa, ele junta "moradores" com "Horto Florestal" como se não houvesse o menor atrito entre essas palavras.


Edson Santos foi convidado em 2008 pelo presidente Lula para assumir a 'Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial'.

E o pior é que, até aí, tudo bem. O oximoro retrata a realidade, porque a realidade ali é absurda. Aquilo se chama Horto porque abrigou até meados do século XX talhões de mudas para reflorestamento. Eles constam de mapas do Ministério da Agricultura até meados da década de 1940. Suas alamedas tinham nomes de árvores.
Era, então, um Horto ao pé da letra. A cidade perdeu-o. Ele foi surrupiado por administrações pródigas e funcionários espertos, depois por descendentes e colaterais de funcionários espertos, enfim por amigos e locatários de funcionários espertos. Qualquer um aproveitou a bagunça para se aboletar no jardim.


Se isso não é área de risco, não sei o que dizer...

O Jardim Botânico sequer fez a conta das casas que semeava. Seu número ainda varia entre 550 e 621. Há entre elas residências funcionais que ainda guardam os traços da arquitetura oficial. E também biroscas, garagens, oficinas e puxadinhos para acomodar famílias que procriam, parentes que chegam de longe e carros que não param de se multiplicar.

Quanto você paga de Imposto de Renda para manter essa "mui digna comunidade"?

Favelizou-se, portanto, um jardim bicentenário do Rio de Janeiro. Com pretextos tão frágeis que bastou a teimosia de um procurador para desmontá-los. Ele se chama Luiz Cláudio Pereira Leivas. Disparou sobre cada imóvel do Jardim Botânico um petardo jurídico de longo alcance e mira telescópica. Seus processos tramitaram sozinhos por quase duas décadas, sem que qualquer diretor do Jardim Botânico movesse um dedo para empurrá-los. Vingaram pela força de seus próprios argumentos. E as sentenças para reintegração da posse começaram a despontar em série, uma a uma, nas mais altas instâncias judiciais.

Foto do Google da área da Favela do Horto do Rio de Janeiro.

Aí, com o caso julgado, a Secretaria do Patrimônio da União resolveu descumprir as sentenças. O deputado Edson Santos, recém-desembarcado do governo federal, no qual foi ministro da Integração Racial, defende essa nova, militante e omissa SPU contra o tradicional Serviço do Patrimônio da União. Ele aprecia invasões. Elege-se em parte com o apoio delas. Defende-as por princípio e por afinidade política. Apoia até a invasão que desfigurou na Zona Oeste a Colônia Juliano Moreira. Nela, hoje, só restam sintomas de sanidade ambiental e administrativa no pavilhão dos dementes. O resto a loucura fundiária e urbanística do Rio de Janeiro contagiou.

Pense mais uma vez... Quanto você paga de Imposto de Renda para manter essa "mui digna comunidade"?

Isso faz do deputado Edson Santos um especialista no assunto? Quem dera. A especialização é artigo em baixa na política brasileira. Ao advogar a invasão do Horto, ele errou feio. Definiu de cara o arboreto como "área de visitação do Parque Jardim Botânico". Ainda nem percebeu que o arboreto é, oficialmente, o laboratório a céu aberto de um instituto de pesquisas chamado Jardim Botânico do Rio de Janeiro, cuja Escola Nacional de Botânica Tropical está, por sinal, separada dos laboratórios e bibliotecas pela favela do tal "Parque Jardim Botânico". Isso só ele sabe o que é e onde fica.


Então, é isso. Penso que desta vez, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) terá de acatar uma decisão judicial que determina a reintegração de posse de uma das 589 casas que ocupam terreno do Jardim Botânico, área federal. Em sentença proferida no dia 30 de junho, o juiz José Carlos Zebulum, da 27ª Vara Federal, decidiu, além da reintegração de posse, que "não cabe ao órgão administrativo dispor do direito concedido". Ou seja: a superintendência da SPU no Rio não poderá mais pedir a suspensão de um mandado em favor do governo federal, abrindo mão de um imóvel erguido dentro do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, como vem fazendo. Mesmo assim, a assessoria de imprensa da SPU em Brasília informou que o órgão reafirma sua posição e que, mais uma vez, entrará com pedido de suspensão do mandado de reintegração de posse até que seja finalizado todo o processo de regularização fundiária que está sendo feito na área do parque.

Pense naquele DARF que você pagará em 30/04/2011... Quanto você paga de Imposto de Renda para manter essa "mui digna comunidade"?

E com esta matéria publicada no Globo e no Estadão de ontem, percebe-se o quanto o Brasil ainda é um país de terceiro mundo. De nada adianta fazer parte dos BRICs, ou o presidente da república fazer marketing pessoal no exterior. Instituições e seus representantes defendendo invasões de patrimônio histórico federal e considerado pela UNESCO como reserva da biosfera, não é o máximo do terceiro mundismo?!
Não obstante todo esse lamaçal, coloco aqui o link para a leitura do esclarecimento da Sra. Eliana de Araújo, Chefe da Assessoria de Comunicação Social do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, órgão ao qual a Secretaria de Patrimônio da União responde, sobre as sentenças para reintegração da posse que começaram a surgir a partir da decisão do procurador Leivas. Nos países latino-americanos, e o Brasil é o maior deles, o público e o privado não têm fronteira. Foi nas comunidades do Horto que nasceu o deputado federal e ex-ministro da Integração Racial, Edson Santos (PT), cuja irmã, Emília Santos, preside a associação de moradores - AMAHOR.



 
EMBRAPA
Se vocês pensaram que a novela acabou, enganaram-se. Em 19/05/2010, a EMBRAPA despejou uma família no Horto. Aconteceu por volta das 10h o despejo da Sra. Clere Ribeiro da Silva, moradora do entorno do Jardim Botânico desde que nasceu há 63 anos. Essa senhora residia na Rua Jardim Botânico, 1024, casa 12 ao lado do EMBRAPA com três crianças de dois, três e oito anos. Para realização do despejo estiveram presentes:
15 Policiais Militares em três viaturas;
2 Policiais Federais;
2 Oficiais de Justiça Federal;
6 Executivos da EMBRAPA;
1 Procurador federal especialmente vindo de Brasília para o despejo;
1 Jornalista da EMBRAPA;
6 Operários contratados pela EMBRAPA para o despejo;
3 Advogados em defesa dos direitos humanos;
7 Moradores em solidariedade;
4 Estudantes em apoio à comunidade.
O Instituto Antonio Carlos Jobim tem seu endereço na Rua Jardim Botânico, 1008. A EMBRAPA tem seu endereço na Rua Jardim Botânico, 1032. Alguém aqui conhece um terreno com uma residência de propriedade privada no nº 1024, ou seja, entre o Instituto Tom Jobim e a EMBRAPA? Claro que não. Se houve uma ação de despejo em âmbito federal, é óbvio que este terreno NÃO pertencia à moradora.


Que ironia, não?!

Se o caso é socialmente justo ou injusto é uma outra estória. O fato é que é ilegal invadir terrenos que não sejam de sua propriedade para construir seja lá o que for. E os outros cariocas? Aqueles que moram nos subúrbios distantes e têm de chegar ao trabalho todas as manhãs, espremidos em ônibus lotados e quentes, enfrentando quilômetros de engarrafamentos? Refiro-me aqui aos cariocas que moram em locais próprios ou alugados e que pagam IPTU. Isso é socialmente justo? Desse modo, o poder público está incentivando, cada vez mais, as posses de terrenos desocupados, o que é ilegal, em áreas nobres da cidade, de frente para o mar, sem pagamento de nenhum imposto. Isso é socialmente justo? Fica a pergunta para a reflexão de todos.

Urbanismo, Gestão Urbana... Ninguém quer saber disso. E para quê, se pode-se morar na zona sul do Rio de Janeiro em "comunidades" sem pagar impostos ou serviços? É cômodo.


Paulista, uma canção para São Paulo

Enquanto ainda estou providenciando novos posts, vou deixar aqui um vídeo com uma canção belíssima na voz afinadinha de Vânia Bastos. Duvido que vocês não adorem. Eu não conhecia essa música, que me foi indicada por um amigo genial, e achei o máximo. Enjoy it.


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Os Ipês Brasileiros

Ficou pronta em 21 de maio a compilação da Lista de Espécies da Flora do Brasil. A implementação da Estratégia Global para a Conservação de Plantas foi incluída dentre os compromissos assumidos pelo Brasil quando da realização da Convenção sobre a Diversidade Biológica – CBD. Em linhas gerais, esta convenção propõe regras para assegurar a conservação da biodiversidade, o seu uso sustentável e a justa repartição dos benefícios provenientes do uso econômico dos recursos genéticos, respeitada a soberania de cada nação sobre o patrimônio existente em seu território. A CBD foi assinada por 175 países, em 1992 durante a Eco-92, dos quais 168 já a ratificaram, incluindo o Brasil (Decreto Nº 2.519 de 16 de março de 1998). Alguns países, entretanto, como foi o caso dos EUA, não ratificaram esse tratado multilateral. Portanto, não são obrigados a respeitar (e não respeitam) os princípios da Convenção.

Sem comentários...

A versão online da Lista de Espécies da Flora do Brasil foi lançada pelo Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro em parceria com o Centro de Referência em Informação Ambiental, CRIA. A flora brasileira agora conta com, aproximadamente, 45.000 espécies de plantas. A única compilação das espécies vegetais brasileiras foi a elaborada por von Martius, entre 1846 e 1906, a Flora Brasiliensis, que apresentava a descrição de 22.767 espécies vegetais brasileiras e, até então, era utilizada pelos taxonomistas botânicos como sendo a obra princepes da botânica no país.



Veja aqui o link para a Lista de Espécies da Flora do Brasil online.

O Foco são os ipês
O ipê é a árvore brasileira mais conhecida, a mais cultivada e, sem dúvida nenhuma, a mais bela. Ela é, na verdade, um complexo de nove ou dez espécies com características mais ou menos semelhantes, com flores brancas, amarelas ou roxas. Não há região do país onde não exista pelo menos uma espécie de ipê, porém a existência do ipê em habitat natural nos dias atuais é rara. Quem vê os ipês floridíssimos tecendo um tapete de flores pelo chão, pensa que essa árvore não resiste ao tempo quente dos nossos verões e que se adaptam melhor ao clima frio. É um engano. Como o ipê é uma árvore nativa do Brasil, eles estão perfeitamente aclimatados, tanto aos nossos verões quanto aos nossos invernos. O fato de soltarem as folhas durante o inverno, deixa-nos com a imagem das árvores europeias na mente. Mas podemos nos dar ao luxo de tê-los tantos quantos quisermos país afora. Basta que cada um de nós incentive o plantio de ipês pelas calçadas brasileiras, que não se danificarão, pois suas raízes de sustentação e absorção são vigorosas e profundas.
O ipê é uma espécie heliófita, ou seja, planta adaptada ao crescimento em ambiente aberto ou exposto à luz direta, e decídua, ou seja, que perde as folhas em determinada época do ano.

Taxonomia
Família: Bignoniaceae
Gênero: Tabebuia
Outros nomes vulgares: ipê-amarelo, ipê, aipê, ipê-branco, ipê-mamono, ipê-mandioca, ipê-ouro, ipê-pardo, ipê-vacariano, ipê-tabaco, ipê-do-cerrado, ipê-dourado, ipê-da-serra, ipezeiro, pau-d’arco-amarelo, taipoca.

O ipê, do gênero Tabebuia, é árvore nativa da América do Sul. Em tupi-guarani, ipê significa “árvore de casca grossa” e tabebuia é “pau” ou “madeira que flutua”. No Brasil ocorrem 28 espécies, segundo o Index Kewensis. Cada espécie tem vários nomes populares e alguns são usados, em diferentes regiões, para identificar ipês de espécies diversas. Plantados em muitas cidades e fazendas como árvores ornamentais, atingem de 5 a 35 metros de altura e sua madeira é muito resistente. As espécies mais comuns são:
Ipê-roxo Tabebuia avellanedae: também conhecido por pau-d’arco e outros nove nomes populares regionais. É muito usado no paisagismo urbano pela beleza de suas flores roxas, agrupadas em cachos. É confundido com outras duas espécies, também de flor roxa, T. impetiginosa (ipê-roxo-de-bola) e T. heptaphylla (ipê-roxo-de-sete-folhas).
Ipê-amarelo T. chrysotricha: ocorre do Espírito Santo até Santa Catarina, na floresta pluvial atlântica. As flores são agrupadas em hastes florais.
Ipê-do-cerrado T. ochracea: é outra espécie de ipê-amarelo, também conhecida por ipê-do-campo.
Ipê-amarelo-do-cerrado T. caraíba: ocorre da Amazônia até o Pantanal. As flores saem diretamente do tronco e dos galhos.
Ipê-amarelo-liso T. vellosoi: encontrado em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro e, principalmente, na floresta pluvial.
Ipê-rosa T. pentaphylla: em algumas regiões do Brasil é o primeiro dos ipês a florir, em junho. Em outras, o último, em setembro. Confunde-se com outras espécies de flor roxa.
Ipê-branco T. roseo-alba: também conhecido como ipê-amarelo-de-folhabranca, é uma das espécies mais vistosas. A floração não dura mais que dois dias, em agosto, mas repete em setembro. Entre os ipês brancos, existe uma variedade violácea.
Ipê-pardo T. serratifolia: é um dos ipês mais vistosos e de maior porte. Suas flores são amarelos, em cacho.
Ipê-verde Cybistax antisyplilitica: Não pertence ao gênero Tabebuia. É uma das espécies menos conhecidas. A flor verde-limão não se destaca. Floresce no verão, de dezembro a março.

Em 1961, o então presidente Jânio Quadros declarou o pau-brasil a Árvore Nacional e o ipê-amarelo, da espécie Tabebuia vellosoi, a Flor Nacional.

O que importa é que cada ipê, de qualquer espécie, é um presente da natureza dado apenas àqueles que sabem admirar o esplendor e a beleza do ciclo de suas florações.

"A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores".
Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1

Todas as fotos neste slideshow foram tiradas no Brasil. É possível, sim, termos nossas ruas e avenidas arborizadas e belíssimas.