quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mirante no Corcovado, e não é o Cristo Redentor

A paisagem carioca, cenário único criado pela natureza, sempre causou forte impacto em todos, e seu incomparável conjunto de montanhas, mar, céu e vegetação deixa uma marca perene nos olhos e na alma do visitante. Pairando sobre e como que coroando todas as elevações, está a montanha do Corcovado, encimada pela estátua do Cristo Redentor, que se tornou, desde sua inauguração, o maior símbolo visual da cidade. Para muitas gerações de cariocas, estátua e montanha são uma coisa só, que sempre esteve no mesmo local. Mas em verdade foi o final de uma longa história, ao longo da qual o cume do Corcovado foi conquistado. Assim, poderíamos até mesmo indagar: Como era o Cristo antes do Cristo?

Em 2011, quando celebramos os 80 anos da inauguração do monumento ao Cristo Redentor, vale lembrar um pouco, não da história da construção do monumento, assunto que já foi quase que totalmente esgotado, mas a história da montanha do Corcovado, antes e depois do Cristo Redentor.


Estrada de Ferro Corcovado e o Chapéu do Sol, mirante da montanha antes do Cristo em foto de 1885.

Por séculos, o pico do Corcovado foi apenas objeto de contemplação, ninguém em sã consciência, pensaria em subir até local tão inacessível e perigoso. Tudo começou a mudar no século XVIII, quando a falta de água forçou as autoridades a criarem um sistema de captação e transporte do líquido até o Centro da cidade, através de um aqueduto e dos Arcos, em seu trecho final. Com essa obra, passou a existir um caminho que ia até a origem das águas do rio Carioca, nas montanhas do Corcovado, o que levou os primeiros exploradores do século XIX a realizarem o ousado feito em lombo de burro ou cavalo, subindo a partir da Ladeira de Santa Teresa pelo trajeto das atuais ruas Joaquim Murtinho e Almirante Alexandrino, junto ao aqueduto.


Corcovado com o Chapéu do Sol - vista aérea.

O Chapéu do Sol do Corcovado, no início do século XX
O acesso à montanha só deixaria de ser uma aventura quando, em 1882, os engenheiros Francisco Pereira Passos e João Teixeira Soares receberam autorização para a construção de uma estrada de ferro que fosse do Cosme Velho até o Corcovado, tornada possível pela recente invenção da tração por cremalheira, do suíço Riggenbach. A obra foi inaugurada em 9 de outubro de 1884, no trecho entre o Cosme Velho e as Paineiras, honrada com a presença do Imperador Dom Pedro II e sua família. Os visitantes tiveram o privilégio de realizar uma viagem de sonho por uma floresta quase virgem, da qual se descortinavam fantásticas paisagens, que até então pouquíssimos haviam conhecido.


Foto de 1905, detalhe do trem de cremalheira do caminho que levava ao mirante Chapéu do Sol, no Corcovado.

Em 1º de Janeiro de 1885, a ferrovia chegava até o Alto do Corcovado, ao mesmo local de hoje em dia, e daí subia-se até a plataforma de observação, no local da atual estátua. Para proteger os visitantes do sol inclemente, foi construído um pavilhão de ferro com 13,5 metros de diâmetro, cuja função e formato circular fez com que recebesse o apelido apropriado de "Chapéu do Sol". Foi contemporâneo de nossos bisavós, até que, em 1931, fosse finalmente inaugurado o monumento do Cristo Redentor.


Mirante do Chapéu do Sol em foto de 1899.

Hoje, mais de 120 anos depois, a subida até o Corcovado continua emocionando e impressionando pessoas do mundo todo, e é fundamental, por parte dos responsáveis, a boa conservação deste patrimônio, que inclui tanto a ferrovia quanto o próprio monumento. É uma forma de honrar o legado histórico e as bênçãos recebidas, representadas pelos generosos braços do Redentor, abertos sobre a Guanabara.


Corcovado, vista aérea. Já com o Cristo Redentor pronto, o Chapéu do Sol ainda se encontrava na montanha. Foto dos anos 30.




0 comentários:

Postar um comentário

Tô só de olho em você...
Já ia sair de fininho sem deixar um comentário, né?!
Eu gosto de saber sua opinião sobre o que escrevo.
Não tem de ser só elogio... Quero sua opinião de verdade!