quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Gruta da Imprensa

Alguém conhece ou já ouviu falar na "Gruta da Imprensa", no Rio de Janeiro? Pois eu, não. Fiquei surpresa de, apesar me considerar boa conhecedora do Rio de Janeiro, jamais ter ouvido falar deste local. Então, quis saber sua história, de onde surgiu esse nome etc. E descobri o seguinte.

Quando a Avenida Niemayer foi inaugurada em 1916, era uma estrada de curvas sinuosas. A construção da Niemayer não é só isso, tem muiiita história a ser contada, mas não é o foco aqui. Em 1920, o Rio de Janeiro recebeu a visita do Rei Alberto, da Bélgica. Por este motivo, a Niemeyer foi praticamente reinaugurada. Foi alargada, asfaltada e teve suas curvas ampliadas pelo então prefeito, Engenheiro André Gustavo Paulo de Frontin. Durante essa reforma, numa das curvas da avenida, foi construído um viaduto que teve em seu nome uma homenagem ao ilustre visitante, pois o nome do viaduto é Rei Alberto.


O Viaduto Rei Alberto atualmente

Em 1922, o prefeito Alaôr Prata abriu a “Gruta da Imprensa”, que nada mais era do que um platô na Avenida Niemeyer onde ficavam os jornalistas da época que faziam a cobertura das corridas automobilísticas de rua. O local até hoje é conhecido como “Gruta da Imprensa”. E fazia parte do circuito do Rio de Janeiro a partir de 1933. Este trajeto ficou conhecido como “Circuito da Gávea” ou “Trampolim do Diabo”. Nessas corridas as largadas se davam próximo ao antigo Hotel Leblon, que ficava (o prédio ainda está lá, abandonado) bem no início da Niemayer, passavam pela “Gruta da Imprensa”, seguiam pela “Rocinha” (que na época sequer sonhava em ter o atual tamanho), e voltava pela Rua Marquês de São Vicente, na Gávea. A idéia do “Circuito da Gávea” foi de Francisco Serrador (o dono do famoso Hotel Serrador no Centro da cidade, próximo ao Passeio Público), em co-parceria com o “Touring Club do Brasil”, e só acabou em 1954.


Aqui o motivo do nome "Gruta da Imprensa", eis os jornalistas esportivos da época, posicionados na mureta à esquerda.


O início do circuito da Gávea e o Hotel Leblon




10 comentários:

  1. Gosto muito do seu blog,gosto dos temas e como eles são desenvolvidos, estava sentindo falta,porque quando não aparece lá no Face, fico pensando que não tem nada novo.

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  2. Minha querida profa. de fotografia, fico lisongeada com seu comentário. Realmente andei um tempinho sem escrever. Vou me penitenciar. rsrs Não posso fazer essas coisas... Muito feio. : )

    beijinhos,
    Eliane Bonotto

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  3. Que bom saber tudo isso. A Gruta da Imprensa é citada numa música do Luiz Gonzaga "Chofer de Praça", que diz "Se apanho um casal na curva do Leblon, sei que vou parar na Gruta da Imprensa", e, eu adolescente, perguntava à minha mãe por que, e ela dizia que era um lugar onde os namorados se encontravam. Não me disse, mas eu deduzi, que naquela época ainda não havia motel...

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    1. Olá, Suzette. Bom dia. Adorei seu comentário. Eu não sabia dessa música do Gonzagão. Vou procurá-la já na internet pra ouvir. Obrigada por compartilhar a informação conosco. E muito obrigada pela visita.
      Abraços,
      Eliane Bonotto

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    2. Obrigada por responder. Aqui está o link da música, com a letra. http://www.vagalume.com.br/luiz-gonzaga/chofer-de-praca.html

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    3. Ohhh, Suzette, que gentil da sua parte... Muito obrigada. Sabe, eu sempre respondo aos comentários dos meus leitores. Ninguém fica sem uma resposta; seria um desrespeito para com meus leitores.

      Gostei à beça da música. E ela fala explicitamente da Gruta da Imprensa:
      "Se apanho um casal,
      Pros lados do Leblon,
      Sei que vou parar na gruta da imprensa,
      Viro o espelho, não falo, não vejo,
      Vou dá meu cortejo, espero a recompensa."
      Muito legal.

      Abraços,
      Eliane Bonotto

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  4. Excelente, mas passei a conhecer após o desastre da ciclovia.

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    1. Oi, Desconhecido(a). Obrigada pela visita. Fico contente que tenha gostado do post. Nunca é tarde para conhecermos coisas novas. Essas coincidências (será que elas existem mesmo? rsrs) acontecem. É muito triste o que aconteceu na ciclovia. Um lugar tão bonito, tão especial, ficar marcado pela morte.
      Abraços,
      Eliane Bonotto

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  5. Lembro-me do meu pai contando que um exímio nadador apelido Jacaré, desafiou as ondas naquele local e nunca mais visto nem seu corpo encontrado. Pode ter sido por volta de 1955/58. Não sei se alguém tem conhecimento desse fato.
    Abs a todos
    Fernando Duarte

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    1. Oi Fernando. Pessoalmente não conheço essa história, mas não duvido nada que o Jacaré tenha existido e realmente desafiado as ondas. Talvez nos anos 50 os homens fossem mais corajosos do que atualmente. Será?!
      Abraço,
      Eliane Bonotto

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