Fonte: Site Opinião & Notícia e baseado em Affonso Henriques em seu livro “Ascensão e Queda de Getúlio Vargas” (edição de luxo, 1977, 3 vols., 1500 p).
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Principais mitos que sustentam o governo Vargas - Parte IV
Fonte: Site Opinião & Notícia e baseado em Affonso Henriques em seu livro “Ascensão e Queda de Getúlio Vargas” (edição de luxo, 1977, 3 vols., 1500 p).
Principais mitos que sustentam o governo Vargas - Parte III
Fonte: Site Opinião & Notícia e baseado em Affonso Henriques em seu livro “Ascensão e Queda de Getúlio Vargas” (edição de luxo, 1977, 3 vols., 1500 p).
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Principais mitos que sustentam o governo Vargas - Parte II
Observação minha: Hoje não é muito diferente.
Fonte: Site Opinião & Notícia e baseado em Affonso Henriques em seu livro “Ascensão e Queda de Getúlio Vargas” (edição de luxo, 1977, 3 vols., 1500 p).
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Principais mitos que sustentam o governo Vargas - Parte I
Fonte: Site Opinião & Notícia e baseado em Affonso Henriques em seu livro “Ascensão e Queda de Getúlio Vargas” (edição de luxo, 1977, 3 vols., 1500 p).
sábado, 5 de outubro de 2013
O Melhor Recreio de Todos
Depois de tantos anos, a tecnologia deu aquele empurrãozinho que faltava para que pudéssemos nos reunir todos no mesmo dia, no mesmo local. Foi um reencontro raro e admirável. Reconhecer cada amigo que chegava num generoso abraço foi maravilhoso. A singularidade das nossas emoções fez com que já saíssemos do primeiro encontro pensando no segundo. E o segundo encontro foi mais gostoso ainda. É isso mesmo, gostoso, porque nossos encontros têm sabor, cheiro, arrepios, tudo a que temos direito.
Eu tenho um amigo lindo. Esse meu amigo descreveu com palavras doces e suaves cada sensação que, ontem à noite, voava vagarosamente pelo ar ao nosso redor. E deixou uma pergunta que teima em permanecer na minha mente. Como pudemos ficar tanto tempo sem nos reencontrar? A quem achar a resposta, convido a sentar-se ao meu lado numa nuvem cor-de-rosa de onde venho meditando sobre a questão.
Agora deixo com vocês as doces e suaves palavras do meu amigo, Sávio Hissao Uehara, um menino que sabe, como poucos, colocar no papel os sentimentos mais profundos e os mais superficiais também.
“Acabei de chegar em casa. Cansado, mas extremamente feliz. Mesmo assim, resolvi compartilhar agora o que seria feito mais tarde. A vontade é maior que o cansaço.
Hoje foi realizado o II Encontro da Turma 806 estendida. O local foi o excelente restaurante de frutos do mar “Capitania dos Copos”, cujo proprietário é o nosso querido amigo Carlos Brandão, que se superou como anfitrião. No final vocês saberão o porquê.
Compareceram Carmen Bonecker Chaves, João Henrique Dos Santos, Eliane Bonotto, Denise Xavier, Rubem Porto Jr, Antonio Casqueira "coruja", Dilma Penha Lopes Pavlidis, Vera Sá, Carlos Brandão, Amélia Mel Freitas, Inês, Marcos, Kátia e Sávio Hissao Uehara.
O mais legal de tudo isso é que mesmo os ausentes - acreditem - estavam bastante presentes e foram lembrados com alegria: Giulio Zappa, Dário, Graça, Marita, Marta, Margarita, Judy, Lucila, Márcia Said, Abílio, Sumaia, Ielca, Regina Lídia, Regina Nadaes, Andréa, Franci, Beatriz e Patrícia.
Deixei por último, de propósito, uma pessoa que é iluminada e muito querida por todos, mas que não pôde comparecer por problemas técnicos: falta de conexão wi-fi. Por óbvio estou a falar de Mema (Maria Noemia), que jamais faltará ao nosso encontro. Mema, você sempre fará muita falta, mas, como você tem luz própria, sempre repousará essa luz sobre nós. Um beijo no seu coração.
Uma pessoa que não canso de homenagear é a Carminha, que conheço há mais de 45 anos desde o tempo em que estudávamos na Escola Rotary, isso sem contar os outros: João Henrique, Márcia Said, Regina Lídia, Inês.... Mas por que homenageá-la? Porque ela foi importantíssima para o nosso reencontro. O Facebook pode ter facilitado, mas a Carminha, com seu carisma e o seu jeito singular, conseguiu contagiar a todos. De se perguntar: como pudemos ficar tanto tempo sem nos reencontrar?
A dupla Carminha/João, aliás, é impagável no seu humor refinado e inteligente.
A ideia do encontro mensal partiu da Carminha. Temia-se, no entanto, que pudesse haver desgaste com o tempo. Ah! Como ficamos contentes com o engano! A Carminha tinha razão e o II Encontro foi emocionante! E põe emoção nisso!
A noite foi memorável! Impossível relatar tudo. Algumas passagens são engraçadas, mas perderiam todo o encanto fora daquele contexto; outras, por óbvio, são impublicáveis....
A tônica, como sempre, foram as recordações do tempo de Lemos Cunha e de como éramos felizes. Infelizmente, não é possível ouvir e conversar com todos, até porque a conversação é simultânea. Mesmo assim, sempre atento, ouvi histórias que me fizeram emocionar, como por exemplo, a do Rubinho, na difícil escolha pelo magistério. Que relato sincero e lindo! Também foi comovente a lição de vida da nossa pequena guerreira Eliane; Verinha é outra referência. Não há como não admirá-la; pude bater longo papo com Amélia sobre tudo. Tenho a convicção de que a distância não será empecilho para os novos encontros.
O ponto alto do encontro veio no final! O Carlos providenciou o bolo para a aniversariante Denise. Logo após nós cantarmos o tradicional “parabéns...”, veio a surpresa. E que surpresa: ao acender a luz, Carlos aparece vestindo a camisa do Lemos Cunha, que ele mandou fazer, e começa a distribuir para todos igual camisa. Por essa ninguém esperava! Todos gritavam de alegria! Confesso que quase chorei. Era muita emoção. Se a recordação já nos levava a uma breve viagem no tempo, vestir aquela camisa era voltar, literalmente, para os bancos escolares do Lemos Cunha.
Estamos todos agradecidos ao Carlos. Ele teve a sensibilidade e o carinho de mandar confeccionar cada uma das camisas. Somente uma pessoa comprometida com o nosso ideal poderia ter a fantástica ideia. Ele lavou a alma de todos!
Alguém duvida que o III Encontro será melhor ainda?
Perdoem-me pelos eventuais equívocos gramaticais e de digitação, mas o sono impede-me de continuar.....
Beijo para todos,
Sávio”
Quis, com isso, compartilhar com todos o grande orgulho que tenho de ser uma ex-aluna do Colégio Capitão Lemos Cunha no Rio de Janeiro. É isso!
domingo, 17 de março de 2013
Brasília ou Vera Cruz?
Quando da criação da nova capital do país no planalto central, a Comissão de Mudança da Capital cuidou de criar a Lei 2874 de 19/09/1956 que, no seu artigo 33, diz: “É dado o nome de ‘Brasília’ à nova Capital Federal”.
Eis que, em 25/03/1957, o eminente deputado Daniel Faraco, de quem jamais ouvi falar, protocolou seu projeto nº 2396/1957 na Comissão de Constituição e Justiça. O projeto pretendia, vejam a pérola!, “Dar o nome de ‘Vera Cruz’ à nova Capital Federal”.
Consistia de apenas dois artigos:
Art. 1º - É dado o nome de “Vera Cruz” à nova Capital Federal.
Art. 2º - Revogam-se o artigo 33 da Lei 2874 de 19/09/56 e quaisquer outras disposições em contrário.
Agora vamos à parte, digamos assim, burlesca da ideia do nobre deputado: a justificativa para o projeto.
"Vera Cruz" é, por todos os títulos, nome muito mais expressivo e rico de sentido e tradição do que "Brasília".
A cruz marca de modo impressionante o destino do nosso país.
Esteve nas velas das naus que o fizeram surgir para a civilização.
No primeiro nome que à Terra deram os seus descobridores.
No ato solene de posse que lhe fixou a língua e encaminhou a história.
Está nos céus, na bandeira, nas armas nacionais.
"Vera Cruz", muito melhor do que um nome de fantasia e sem conteúdo, indicará a fidelidade do Brasil à sua vocação cristã e às suas raízes históricas.

No parecer do relator, deputado João Menezes, dado em 18/06/1957, foi dito, entre outras coisas, que: “Evidentemente, não encontramos no mesmo nenhuma conveniência, quer de ordem histórica, de forma, ou de origem popular. Além do mais, o nome Brasília já está consagrado pelo uso e espalhado pelo mundo, refletindo esta iniciativa arrojada que vinha figurando sem resultado prático em nossos dispositivos constitucionais.”

A Comissão opinou unanimemente na forma do parecer do relator. Nem poderia ser diferente.
Há mais de meio século pagamos os salários de reles parlamentares que, em vez de agirem visando à raiz dos problemas da nação, comparecem (quando o fazem) à casa do povo para, como se dizia antigamente, apenas “comer a merenda”. Triste realidade.
Os lindos prédios ecléticos da antiga Avenida Central

Os dois prédios ocupavam o quarteirão entre a Av. Almirante Barroso e a Rua Heitor de Melo.

Os dois clubes fundiram-se em 1932 formando o Jockey Club Brasileiro. A primeira diretoria do Jockey Club Brasileiro (unificando o Derby Club) teve como presidente o Dr. Linneo de Paula Machado. Na década de 1950, foi construída uma nova sede social do Jockey, projetada por Lucio Costa, na Av. Presidente Antonio Carlos.
Apesar dos protestos, os dois prédios foram demolidos no início dos anos 70. No local antes ocupado pelos dois prédios na Av. Rio Branco, foi construído, entre 1972 e 1976, o Edifício Linneo de Paula Machado, um caixote de vidro de 34 andares, fruto, é claro, da especulação imobiliária no local.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Manifesto pela Reforma Democrática - 1962
Se não adotar, com urgência, soluções realistas, quem não vê que o Brasil caminha para uma. ditadura ? Não importa qual, não importa de quem. Mas, é evidente, cada dia mais, que nenhuma nação resiste a tantas crises sucessivas sem que, a certa altura, uma força de ordem se imponha — e quem vai clamar pelo seu advento, na rua, é o próprio povo aflito.
A ordem democrática, a ordem com liberdade, a disciplina consentida, o esforço conjunto, as soluções honradas — ou a ordem imposta, a ordem armada e mistificadora. Eis a escolha a fazer. Não nos falem de "direita" ou de "esquerda". Os donos do Brasil são ambidestros. Não há incompatibilidade maior. Entre "esquerda" e "direita", como já foi demonstrado no mundo em geral e, em particular, no Brasil. O submundo, tosco de ideias e refinadamente intuitivo dos caudilhos não conhece direita nem esquerda senão como rótulos. O que lhes importa é o Poder, o uso pessoal dele, para enriquecer, para afogar suas inferioridades no ódio, na cobiça, na deslumbrada mediocridade do espanto de se verem tão alto — sem saber corno nem para que.
Não se procure fugir à realidade que se aproxima, por meio de subterfúgios e desculpas tais como a maturidade do país, a estabilidade das instituições, o legalismo das Forças Armadas, a superação da fase dos golpes, etc. Cada vez que se falou nisto, foi um golpe que se desencadeou. A intenção legalista põe — e a conjuntura dispõe.
O famoso gênio brasileiro para a solução pela tangente, o "jeito" para contornar crises, não é senão o outro nome cio horror à responsabilidade, do temor de enfrentar a realidade e resolver, francamente, decididamente, os problemas postos perante os responsáveis pela sorte da Nação.
Já se recorreu demais ao "jeito". A fase das soluções de expediente chegou ao fim. A inflação produz os seus derradeiros efeitos: os de obrigar a Nação a optar. A opção não tarda.
Não adianta recriminações. Nem mesmo parece aconselhável perdermos mais tempo num ajuste de contas. Se queremos que esta Nação se levante, precisamos agir com rapidez; e agir certo.
Que fazer?
Direi o que me parece. Não sem antes também declarar, ainda uma vez, o meu otimismo, se soubermos agir — e se as Forças Armadas, ao menos, não desertarem do seu dever antes de se completar o esforço, crescente e bem sucedido, de sua desagregação. Mas, o nosso otimismo não se confunde com o risonho, transbordante e comunicativo dos inconscientes.
É um otimismo lúcido, fundado no conhecimento de realidades positivas e no, por assim dizer, pressentimento da vitalidade do Brasil e do seu povo. Como não ser otimista ante uma nação que foi capaz de resistir a tantos abandonos e de sobreviver a tantos assaltos?
O que o Brasil tem de positivo, a seu favor, para um esforço nacional de reconstrução e de prosperidade, é imenso. No que ele está muito mal servido é de quadros dirigentes. Estes são escassos e muito deteriorados pela inflação, pela ignorância e pela desonestidade. Estes, manda a verdade dizer que quase não têm onde se preparar em quantidade e qualidade bastante para a crescente demanda.
Preocupa muito, é certo, e também não há como ocultá-lo, a desagregação crescente das Forças Armadas, nas quais — é preciso que se dê o alerta — já penetrou o espírito desfibrador da inflação, formando grupos que disputam entre si a hegemonia ocasional. Um negocista, um só, o pior deles. o mais sórdido, o mais reles, o mais torvo, tornou-se o empresário, o anfitrião, para dizer o menos, de homens responsáveis pela segurança nacional.
Este é um exemplo que vale como um aviso. Pois, queira-se ou não, as Forças Armadas, que atuaram quase sempre corno poder moderador, arriscam transformar-se em fonte de provocação e de opressão, se continuar o atual processo de sua decomposição.
Mas, como não podia deixar de ser, reponta, espontânea, insopitável, a reação contra essa tendência desagregadora e aventurista. A consciência cívica fala mais alto do que o convite à inconsciência e a provocação ao egoísmo e à vida fácil, pela qual se veem os quartéis rodeados, corno de uma inundação que ameaça lhes invadir os pátios limpos. Não tenho dúvidas em confiar, ainda, no êxito dessa reação liberal, isto é, em favor da única liberdade durável, a liberdade com responsabilidade; embora ela tarde e faça correr, com sua tardança, um imenso risco à Nação.
Antes, pois, de entrar na enumeração de providências e reformas que constituem, em linhas gerais, o processo da Reforma Democrática do Brasil, devo singelamente afirmar que faço este esforço sem temores e sem ambições. Faço-o porque hoje, no governo, vejo confirmado o que denunciei quando estava na oposição. O que vi por dentro era ainda pior do que, de fora, parecia. O Brasil tornou-se propriedade de uma casta, que hoje se disfarça de socialisteira como ontem de fascista, mas na realidade é uma casta de incapazes e desonestos profissionais da demagogia, a patronal e a operária, a falar de reformas que não faz porque não quer e porque, se quisesse, não saberia fazer honestamente.
Faço-o, sem ressentimentos e sem recriminações. Dou o nome às coisas, costumo chamar pelo nome os principais responsáveis. Mas, não esqueço que existem outros, corno os omissos, os que deixam correr o marfim, os que não procuram mais do que os seus interesses imediatos, sejam estes de ordem pecuniária ou espiritual. Há urna espécie de competição no país: o campeonato da Demagogia e da Corrupção. Vemos padres demagogos, patrões demagogos, estudantes demagogos, economistas demagogos, generais demagogos, colunistas demagogos. Os mais modestos demagogos são, agora, exatamente os que tinham certo direito de o ser, os políticos, os parlamentares. Há uma grande responsabilidade de órgãos de informação e orientação, que informam mal e orientam segundo conveniências pessoais, momentâneas, subalternas — com as exceções do costume — e alguns dos quais se prostituem com a volubilidade de quem julga que nunca terá de prestar contas a ninguém pelo uso que faz dos instrumentos que a Democracia deixa em suas mãos.
Isto posto, diga-se ainda, não tenho a pretensão de concorrer com os ilustrados demagogos da sociologia que, ultimamente, campeiam no Brasil. jejunos da matéria, justificam "ideologicamente" qualquer absurdo.
Uma análise séria das últimas eleições, de 7 de outubro deste ano, seria reveladora. Dispensem-me de a fazer aqui. Tenham-na por feita. E não percam de vista o espetáculo edificante dos candidatos à presidência da República se acotovelando num concurso de pernas ideológicas, vestindo o maiô socialista para tentar ganhar a coroa de Rei da Esquerda, que o Sr. Jânio Quadros arvorou a três pancadas e deixou rolar da cabeça.
Vejamos, de outro lado, o povo. Na medida de suas forças, desajudado pela falta de escolas, que os donos do Brasil têm o cuidado de lhe não proporcionar; pela falta de universidades autênticas, que são incipientes e quase todas transviadas; pela incompreensão de que a distribuição da riqueza é função da criação da riqueza, e esta depende muito mais do aumento da produção do que as leis generosas que distribuem o que não existe; exasperado pela ação exaustiva da inflação sobre seus sentidos e sua razão; tomado de surpresa por fenômenos como a renúncia de Jânio e o imbróglio presidencialismo-parlamentarismo que é um debate intramuros em Brasília, entre um Parlamento indefeso e um Presidente indefensável; mistificado por uma propaganda que comercializou a política, ainda assim o povo se recusa à subversão a que o convidam. O povo resiste à sedução do desespero.
E, creio, ainda não desanimou.
É o que me anima, também, a propor à sua consideração estas ideias para soluções básicas, pontos de partida da Reforma Democrática do Brasil.
A começar logo, sem prejuízo de qualquer medida, é urgente promover o Balanço Econômico nacional. Não pode o Brasil prosseguir sacando sobre o futuro sem saber com que conta no presente, para esse arranco. Que se sabe da riqueza e das disponibilidades nacionais? Pouco mais do que nada. Dos swaps do Banco do Brasil à atividade predatória da casta dominante sobre a Petrobrás, tudo o que se faz no Brasil é no escuro. O conhecimento da realidade sobre a qual operam os políticos e os administradores é essencial.
Entretanto, as outras medidas são:
1. Reforma Agrária, imediatamente iniciada, usando a legislação vigente e aquela há pouco aprovada pelo Congresso. Instituição de um Fundo de Resgate para a indenização das terras que tiverem de ser desapropriadas, por meio de pagamento em ações de empresas estatais (como Volta Redonda, Vale do Rio Doce, etc.), cotadas em Bolsa. A exigência constitucional do pagamento prévio e em dinheiro não impede essa modalidade, antes a indica. Não sendo a Reforma Agrária, como não é, Unicamente questão de propriedade da terra, as outras providências são: crédito agrícola intensificado, diversificado, disseminado, conforme planos regionais, de acordo com o gênero de produção, capacidade de produzir, etc. Formação de uma entidade nacional para planejamento, mas entrega da execução a órgãos locais, ligados aos Estados e Municípios, mediante cautelas contra a utilização política dessa arma que é a desapropriação. Financiamento da produção de produtos de alimentação. Promoção de convênios entre regiões produtoras e consumidoras, para reduzir o número de intermediários. Crédito à rede privada de abastecimento, para racionalizar os seus métodos e assegurar, por meio de armazéns gerais, os preços na entressafra e um fluxo contínuo de produtos no mercado consumidor.
2. Reforma da Marinha Mercante, estabelecendo um regime de justiça para com o resto do povo e de exploração econômica das empresas. Abertura dos portos, literalmente, pela dragagem e aparelhamento, de modo a utilizar a costa do Brasil; formação do Porto Livre do Atlântico Sul, no Rio. Planejamento do transporte terrestre, aquático e aéreo.
3. Programa de educação primária intensiva, com a concentração de recursos em projetos específicos, entregues à execução de órgãos locais. Considerar a Educação do povo como o principal problema econômico-social do Brasil. Programa de empréstimo interno e externo para investimento maciço na educação do adolescente para o aumento da produtividade. Reforma da Universidade, com aplicação ampla da Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
4. Libertação do movimento sindical de qualquer tutela, para formação de um movimento sindical autônomo. Esforço pelo aumento da produtividade para melhoria real do padrão de vida do trabalhador.
5. Universalização do concurso e do contrato no Serviço Público, com formação de especialistas e de pessoal habilitado. Funcionalismo de carreira, rigorosamente independente da política de clientela. Racionalização do serviço público.
6. Revisão da política exterior do Brasil, retomando a sua linha tradicional e ativando-a para que se torne mais efetiva e mais presente. Abandono urgentíssimo das recentes leviandades que fizeram do Brasil objeto de escárnio internacional e de justa desconfiança dos seus aliados.
7. Reforma Bancária com autonomia do Banco do Brasil e formação do Banco Federal de Reservas, para sustentar o mercado de crédito e, caso necessário, regulá-lo. Política enérgica de sustentação da moeda. Rigorosa amputação de todas as despesas supérfluas ou adiáveis.
8. Uma alternativa a ser decidida com urgência: volta de Brasília ou concentração da administração superior em Brasília. O sistema híbrido é que não funciona. Depois de bem pesar as vantagens e desvantagens, considerando Brasília um fato consumado, lá permanecer ou, vendo que ela ainda vai absorver o que a Nação não pode pagar, adiar essa mudança para mais tarde — e voltar. Rigoroso critério técnico nessa decisão, à luz da conveniência do país nos próximos anos.
9. Revisão imediata de todas as leis, regulamentos, circulares, mandamentos, mentalidades que visam a impedir o afluxo de capital para o Brasil. Cumprimento dos compromissos legítimos assumidos no exterior de modo a restaurar o crédito brasileiro no mundo, completamente destruído. Pelos mesmos motivos, negociações para financiamentos e entrada de capital, privado e público, no Brasil, mediante medidas simples e claras, de defesa do interesse nacional. Sem dinheiro o país não progride. Não há dinheiro bom, suficiente, no Brasil. Medidas para impedir a saída de capital brasileiro para o exterior, pela defesa do crédito interno e pelo confisco das fortunas ilicitamente acumuladas.
10. Revisão imediata de todos os contratos de companhias concessionárias de serviços públicos, de modo a democratizar o seu capital forçando a venda de ações aos usuários, consumidores de seus serviços, para financiar desse modo a atualização e expansão de tais serviços (telefones, transportes, energia, etc.), inclusive a atualização das tarifas.
11. Normalidade na vida da Petrobrás, encerrando o capítulo ruidoso — mas não tanto quanto devia, pelos escândalos que lá são abafados — da ocupação política da empresa estatal de petróleo por grupos da casta de donos do Brasil. Política agressiva de procura e exploração de petróleo pela Petrobrás, fixando prazos razoáveis ao fim dos quais, se não tiver êxito, a exploração do petróleo será livre no Brasil. Mas o preferível, e o desejável, mesmo o economicamente mais provável, é que a Petrobrás sozinha, desde que decentemente administrada, possa resolver o problema brasileiro do petróleo.
12. Crédito à construção civil e às cooperativas, a serem fomentadas, de construção de casas populares, mediante diversos projetos específicos, a serem aplicados com plena liberdade, em cada região e em cada grupo social conforme as suas características e preferências.
13. Completa descentralização administrativa, dando tempo ao Presidente, Ministros, etc., de governarem em vez de apenas confabularem e assinarem papéis.
14. Prestígio à iniciativa privada e, ao mesmo tempo, não só por serem incompatíveis, mas por serem complementares, planejamento nacional com prioridades bem estabelecidas para a solução dos problemas.
15. Estatuto dos Partidos Políticos, para diminuir-lhes o número e garantir, num sistema bipartidário, a livre existência de várias correntes. Reforma interna do Congresso para assegurar melhor rendimento ao trabalho parlamentar e à elaboração, votação e fiscalização do Orçamento.
16. Medidas gerais de moralização da vida pública e da atividade política e administrativa.
Sobre esse quadro de providências básicas, inclui-se uma série de soluções para os problemas específicos de cada região, como o Norte, o Nordeste, de cada produto, como o café, a madeira, de cada setor, como a Previdência Social, o Turismo, etc. Mas o que urge é tornar as providências básicas.
A principal espoliação de que está sendo vítima o povo brasileiro é aquela que lhe causam os próprios brasileiros. Fomos habituados a sonhar com a riqueza fácil, de um subsolo rico, de uma terra fértil, de um clima favorecido, até de um céu privilegiado. Dificilmente nos habituamos com a ideia de uma luta severa contra a adversidade, as deficiências do meio, a carência de conhecimentos, a crise de quadros dirigentes. Crismamos o nosso atraso de "subdesenvolvimento" e com isto fizemos regredir o Brasil, cuja ambição, hoje, se ouvirmos os seus atuais porta-vozes, é igualar o Congo ou assemelhar-se ao Yemen.
Fala-se de reformas de base. Não se faz nenhuma. Proponho estas, que são realmente de base, porque são pontos de partida. Com elas mudam os anacronismos da estrutura sem que mude, propriamente, a estrutura, que fundamentalmente é sólida e boa, tanto que resistiu a todos os descasos e abandonos.
Nego que a luta de classes seja inevitável, ou seja, mais do que uma fase da história do Trabalho. Recuso-me a dividir o meu país, na vertiginosa segunda metade do séc. XX, no limiar da automação e das viagens pelo cosmos, entre as ideias de Adam Smith, no século XVIII, e de Karl Marx, no século XIX. Considero os comunistas uns atrasados e os que descobriram, agora, que "o mundo marcha para a esquerda", uns tolos. Em lugar nenhum do mundo, a não ser pela força e pela traição, o mundo atual marcha para a esquerda. Nem na Rússia. O Partido Comunista é, hoje, o mais conservador do mundo, embora muitos comunistas ainda não saibam. O mundo apenas marcha. Até o Brasil anda, pelo trabalho dos brasileiros, apesar de todas as dificuldades que lhe têm sido criadas por tantos protetores e salvadores.
Quanto mais penso nesses assuntos mais os vejo com simplicidade. Será porque me estou despedindo depois de cumprir a minha obrigação, o que sei é que o problema básico deste país me parece de uma extrema singeleza. Não é uma questão de ideologia, é uma questão de vergonha na cara. Não é tanto uma questão de sabença, é mais uma questão de bom senso. Ninguém, penso, me fará a injustiça de supor que digo assim por ignorar as ideologias. É porque vejo quanto carece de vergonha a gente que domina este meu país.
Com a mesma desenvoltura com que se agarraram ao rabo da direita, quando para lá sopravam os ventos, agarram-se hoje Da esquerda. São novos Mussolinis — em versão para iletrados. Na prática, não são uma coisa nem outra. Não são estadistas. São parasitas. Montaram indevidamente, mercê da ignorância da maioria, da demagogia e da covardia, da excessiva tolerância e da displicência, da cobiça e da falta de visão que dominam o panorama nacional, uma rendosa máquina de explorar o Brasil.
E o exploram.
Pensávamos, com o Sr. Jânio Quadros, formar um precipitado de forças capazes de acabar com essa exploração. Foi-se ver, ele não era o que diziam. Estava muito abaixo da sua missão. Não soube cumprir a sua parte. Saiu — como quem se vinga na carne dos inocentes. Quase desanimamos, todos. Nos desorientamos, muitos. Nos separamos, alguns.
Mas, aos poucos, todos se vão convencendo de que afinal, Jânio Quadros é um episódio, apenas. Uma página virada. A luta que ele não soube levar por diante não começou com ele, vem de muito antes, e não acaba com ele, prossegue.
Tem os seus momentos de desânimo, de maré baixa. Mas tem conquistas sérias, pontos e postos decisivos já tornados. Conta com urna opinião pública crescente, que cada dia mais se esclarece, enquanto do lado oposto, também. Conhecemos partidários dos demagogos, que se desiludem. Não conhecemos partidários nossos, desiludidos. Alguns ficam, quando muito, amuados. Mas, sabem, de coração, que não os decepcionamos.
Porque nunca lhes faltamos, nem agora, com o dever da verdade. Só adula o povo quem o despreza, quem não confia na sua capacidade de se esclarecer e se informar.
No fundo, não há nada mais anti-povo do que esse "populismo" interesseiro e embusteiro que tomou conta do Brasil, enlouqueceu políticos gaiteiros, liberalões que fazem cirurgia plástica nas suas convicções, oportunistas impacientes, traidores que esperavam apenas uma oportunidade para valorizar a traição.
Tudo isto compõe uma farândola. Mas, não forma um corpo dirigente. A Democracia exige a formação de uma elite dirigente, porque ela é ou deve ser o governo dos melhores, escolhido pela maioria. Ela exige que a maioria seja capaz de escolher os mais capazes. Por isto é que ela é lenta para se estabelecer e se aperfeiçoar. Mas, não cessa nunca o seu processo de melhoria. Por isto, ainda, é que ela não cabe numa ideologia, transcende os quadros, por mais amplos, de uma doutrina.
É um estado de espírito que se traduz por providências e medidas, antes que por formulações abstratas. É urna doutrina, mas só se define em ação. Se chegasse a ser uma filosofia, seria inteligível apenas pela sua aplicação prática. Isto não a humilha nem a destrói. Ao contrário, é o que lhe dá grandeza.
Ao contrário dos totalitários, que amam as fórmulas porque se alimentam dessas fórmulas intoxicantes, o democrata se nutre de exemplos e de análises — e foge ao perigo das sínteses e das generalizações teóricas. Em certo sentido, o verdadeiro idealista — na Democracia — é pragmático. Não se deixa aprisionar nem pelas fórmulas nem pelas prevenções, pessoais ou doutrinárias. Mas, isto exige maturidade, força de convicção, capacidade de ação.
Reforma de base? Aí a têm. Fora da mistificação e da provocação que visam a esconder um fato capital: a destruição do Brasil por uma casta de brasileiros que se apossou do país, e, não sabendo fazer outra coisa, prospera — em todos os sentidos — à custa do empobrecimento nacional — em todos os sentidos.
Carlos Lacerda, Manifesto pela Reforma Democrática, 24 de novembro de 1962.
domingo, 3 de março de 2013
As Aventuras da Mágica do Saber
Em 24 de agosto de 2011, publiquei um post chamado “A Mágica do Saber”, que foi o livro didático que usei durante os meus cinco anos de curso primário. Fiquei surpresa em ver que aquele post gerou mais de dez comentários, o que, para o meu modesto blog, é um recorde.
O último comentário recebido foi do Carlos Augusto Dodl em 14 de fevereiro de 2013. “Eu fui entre 63 e 71 o gerente da editora que lançou este título e muito calaborei em seu lançamento, bem como ‘Meu companheirinho’ e ‘Minhas fichas de férias’ e a cartilha Pompom meu gatinho todos da Thereza e Icles. Lancei tb outros títulos de outras autoras.”
Fiquei super contente e respondi-lhe: “Olá, Carlos. Meu Companheirinho! Que saudade. Você teria ideia de como podemos fazer para encontrar a Mágica do Saber? Já tentei de tudo que conheço. As profas. Tereza e Icles eram muito boas no que escreviam. Não conheci 'Minhas fichas de férias' nem o 'Pompom'. Se você quiser contar um pouco mais da sua experiência de editor, está, desde já, convidado a publicar um (ou mais) post(s) no meu humilde e meio 'negligenciado pela dona' blog. Se preferir me mandar um email, será um prazer enorme conhecer outros bons títulos. Obrigada pela visita.”
Então, neste sábado, 02 de março de 2013, recebi um lindo email do Sr. Carlos Dodl contando, como eu pedira, um pouco mais sobre sua grande aventura pelos meandros da história da educação brasileira. Não resisti ao seu texto e pedi-lhe autorização para publicá-lo aqui. Como fui prontamente atendida, aqui vai o relato de um dos Editores de “A Mágica do Saber”. Mesmo assim, infelizmente, ainda não foi desta vez que conseguimos saber onde encontrar um exemplar deste livro mágico. Acreditem, ainda não desisti.
“Olá Eliane. Um bom dia. Tomara que hoje esteja um lindo dia, como está aqui nas proximidades da Praia do Rosa onde moramos. Mas tomei conhecimento do seu blog e da sua admiração pela Mágica do Saber através de um comunicado do meu filho caçula, que sabendo da importância que este livro representa para mim e todo meu passado, deu-me a direção do seu blog. Perdão pelo atrevimento de me dirigir a seu blog sem ser convidado. Quanto a onde você poderia conseguir exemplar da Mágica do Saber e demais livros da Tereza e da Icles, infelizmente, não tenho a mínima ideia. Mas você me pede alguma experiência do tempo da Editora e o que vou te narrar se passou há 50 anos.
Toda editora de livros didáticos, já que o maior volume de suas vendas acontece de janeiro a março, começa a preparar e imprimir seus títulos logo que começa o segundo semestre do ano anterior. A Tereza e a Icles eram professoras de turma na Escola José de Alencar, onde estudavam dois dos filhos de um dos donos da Editora Série Cadernos Didáticos, Livros-Cadernos Ltda., que nesta época só faziam uns cadernos de geografia, que vendíamos para todo o Brasil, pelo serviço de reembolso postal. Eu há pouco começara a trabalhar nesta doméstica editora (doméstica porque funcionava na casa de um dos sócios). Fui convidado para ajudar, nos três primeiros meses do ano de 1961, sem carteira assinada e nenhum contrato. No final fiquei onze anos. E íamos assim, vendendo nossos cadernos de geografia (que também você deve conhecê-los), quando um dos alunos da Icles levou-nos um estudo sobre o que seria mais tarde a Mágica do Saber. Todos nós ficamos encantados e admirados pela qualidade didática da obra saindo das mãos de duas simples professoras primárias. E aceitamos fazer uma tentativa de editar a obra. Era a Mágica do Saber para a quarta série. Assim era chamada na época. Só tinha um detalhe muito importante. Não teríamos tempo (principalmente porque era, para nós, uma verdadeira aventura) já que precisaríamos ter o livro antes do final do ano para poder divulga-lo nas escolas. Mas naquela época, não contávamos ainda com toda a tecnologia que hoje existe em matéria editorial. Era tudo muito manual e ainda tínhamos que conseguir um bom desenhista para ilustrar. Para encurtar toda nossa aventura: O livro ficou pronto em meados de fevereiro. Como divulgá-lo em tão pouco tempo? Tive, na minha alma ainda juvenil, uma ideia que, se não era brilhante, era um complemento da aventura que havíamos decidido tocar adiante. A editora, nesta época, tinha três funcionários: um motorista, uma auxiliar de escritório e eu. Como a editora funcionava numa casa de família, o motorista e a moça, também atendiam a família fazendo alguns serviços domésticos. Pois bem, enchi a kombi de livros da Mágica do Saber e saí com o motorista pelas ruas do Rio, com um mapa de todas as escolas. Eu ia na frente da kombi, ao lado do motorista e quando passava pelo portão principal de uma escola jogava com toda a minha força, um exemplar. Era tão grande a confiança na qualidade didática que o livro possuía que eu tinha como que uma certeza de que este livro no chão iria parar na mão de alguma professora, e aí não precisava mais nada. O livro falaria por ele mesmo.
O resultado foi que nos primeiros dias de março, quando as escolas já estavam abertas (e eu continuava a aventura de jogar livro pela janela da kombi), foi chovendo pedidos de todos os lados. A primeira edição se esgotou em dez dias e tivemos que rodar, aí sim, uma tiragem dez vezes maior. Daí em diante, a editora começou a crescer e as autoras se animaram e fomos lançando para outras séries, e depois de completada, fomos lançando outros títulos como ‘Meu Companheiro’ e ‘Meu Companheirinho’, a cartilha ‘Pompom, Meu Gatinho’ e as ‘Fichas de Férias’, todos com enorme sucesso junto ao professorado, aí então, de todo o Brasil.
A editora deixou de ser uma editora doméstica e passou a ocupar dois enormes edifícios, que adquirimos em 1964 e 1967. Trabalhei, até 1971, como gerente da editora. Fui convidado por diversas editoras, como a Block Editora, a Abril Cultural etc., mas não tinha coragem de trabalhar em outra editora, fazendo concorrência com minha grande ‘aventura’. Fui regiamente indenizado e me dediquei a outra função bem diferente. Infelizmente, dois ou três anos depois de sair da editora ela faliu e não soube mais como estavam as autoras e seus livros. Hoje, com 72 anos de idade, já aposentado, e vivendo em nossa casa de praia, em Ibiraquera, nas proximidades da Praia do Rosa, em Santa Catarina, minha memória já falha para eu te dizer outras obras da editora. As que me lembro, são: ‘A Festa do Idioma’ (para ginásio), ‘O Palhacinho Brilhante’, ‘Meu Caderno de Redação’, ‘O Mundo encantado dos Números’. Não me peça os autores porque não me lembro. Inesquecíveis mesmo são a Mágica do Saber, a Tereza e a Icles. Desculpe me ter alongado demais. bjo”
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
O Fundamentalismo no Paternalismo das Esquerdas Brasileiras
O ditador pai dos pobres
A nomeação de João Goulart para o Ministério do Trabalho em 1953 desagradou os círculos militares, políticos e empresariais. Para controlar a situação, Getúlio nomeou Zenóbio da Costa para o Ministério da Guerra e demitiu João Goulart.
O aumento de 100% para o salário-mínimo junto com o pedido aos trabalhadores que se organizassem em defesa do governo e o atentado a tiros no Rio de Janeiro ao jornalista Carlos Lacerda, no qual morreu o major-aviador Rubens Vaz, que o acompanhava, precipitaram uma crise política sem precedentes.
No dia 12 de agosto, a Aeronáutica já havia instaurado um IPM - Inquérito Policial Militar - para investigar o crime que resultara na morte de um de seus oficiais. Em manobra do Catete, Lutero Vargas abre mão da imunidade parlamentar e se apresenta, voluntariamente, para depor, negando a participação como mandante do atentado da Rua Toneleros.
A 13 de agosto de 1954, Getúlio Vargas já pôde sentir que estava se afogando em um mar de lama. Fora preso o pistoleiro Alcino José do Nascimento, que confessou o crime da Rua Toneleros. Mas a situação agravou-se ainda mais quando Alcino declarou na Polícia haver agido a mando do filho de Getúlio Vargas, o então Deputado Federal Lutero Vargas.
A trama que foi, aos poucos, sendo desvendada naqueles dias críticos de 1954 revela-se muito complexa para envolver apenas personagens subalternos do Palácio. Logo após a prisão do pistoleiro, o secretário da guarda pessoal de Getúlio Vargas, extinta em 7 de agosto, acabou confessando que havia facilitado a fuga do pistoleiro Alcino e do membro da guarda, Climério, ambos diretamente envolvidos no assassinato. Climério ainda levaria alguns dias para ser encontrado. João Vicente, o secretário, alegou que fizera tudo instruído por Gregório Fortunato, o “anjo negro”, chefe da guarda.
Ou seja, oito dias após a morte do Major Rubens Vaz a polícia e a Aeronáutica já tinham os nomes dos assassinos, de quem os acobertou e de quem os instruiu. Todos pertenciam ao círculo íntimo do Presidente, exceto o pistoleiro contratado.
Essas pessoas ligadas a Getúlio Vargas é que verdadeiramente conspiraram contra a Nação. O impeachment do Presidente era o único caminho legal possível.
O presidente reconheceu que, sem seu conhecimento, corria sob o palácio um mar de lama e os militares exigiam sua renúncia. Getúlio reuniu, então, o ministério e propôs se licenciar até que todas as responsabilidades pelo atentado fossem apuradas. O Exército, porém, não aceitou o afastamento temporário.
A pressão foi demais e o presidente retirou-se da reunião. No mesmo dia, 24 de agosto de 1954, no palácio do Catete, no Rio de Janeiro, suicidou-se com um tiro no coração, deixando uma carta-testamento de natureza fundamentalmente política.
Mar de Lama do Século XXI
Em maio/2005, trechos de pronunciamentos feitos no plenário do Senado diziam coisas do tipo:
Cristovam Buarque (PT-DF): "Ajudar o governo, como é minha obrigação de petista, é não encobrir nada. A melhor maneira é, em bloco, a Bancada inteira, aprovar a assinatura. Lamentavelmente, na reunião da Bancada, não foi aprovado isso. O meu medo, e vou procurar frisar isso, é que estejamos escondendo as cabeças como avestruz. A crise é muito mais séria, profunda e toca muito mais as instituições do que aparentemente estamos percebendo".
Demóstenes Torres (PFL-GO): "Neste ano, estamos implantando no Brasil algo que era reclamado há muito pela sociedade e pelo Poder Judiciário: a súmula com efeito vinculante. O que é a súmula com efeito vinculante? Pela repetição, o Supremo Tribunal Federal acaba editando uma norma e, assim, processos com a mesma característica são indeferidos por aquele Tribunal. Em decorrência disso, parece-me que o Governo Federal criou a Súmula José Dirceu.
Mas... Pois é, mas... Não sobrou pedra sobre pedra. Chegamos à Ação Penal 470. O STF “soltou o braço” nos meliantes. E o julgamento ainda não terminou. Paralelo com isso, o Senador Demóstenes Torres enfrentou a CPI do Cachoeira e fez um baita papelão com direito até a choro. Depois de tantas operações da Polícia Federal: Operação Hurricane, Caixa de Pandora, Sanguessuga, Anaconda, Satiagraha (que investigava crimes financeiros que teriam sido cometidos por um grupo comandado pelo presidente do Banco Opportunity, Daniel Dantas), e outras mais de que não me lembro, ei-nos aqui com o estouro da Operação Porto Seguro.
Hoje me pergunto de quem foi o mar mais lamacento? O de Getúlio ou o de Lula? Como estamos cronologicamente mais próximos do segundo, a população dirá que é dele, sem dúvida, o pior mar de lama. Na verdade, é só uma questão de tempo, ou melhor, do tempo. Do tempo decorrido. O que está distante de nós no tempo tende a distanciar-se também na memória coletiva. Aconteça o que acontecer, dentro de uns cinquenta anos, talvez meus netos leiam nos livros de História do Brasil que Lula foi um segundo pai dos pobres, o pai da bolsa-família, da emergência da classe C e da marola da crise financeira.
Interessante é que nenhum dos dois, cada um a seu tempo, sabia de rigorosamente nada! Será esse o Brasil do futuro? Ou do passado? E do presente também? Mais uma para reflexão.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
O Dia Nacional da Mulher Não é Hoje
Mas vocês já ouviram falar no Dia Nacional da Mulher? Quanto conhecemos dessa data e daquelas que lutaram para que ela pudesse ser celebrada? Oficialmente, o dia 30 de abril é celebrado por conta da Lei 6.791 de 1980, sancionada pelo então Presidente João Figueiredo. Esse dia foi escolhido em homenagem a uma mineira chamada Jerônima Mesquita, nascida em 30 de abril de 1880, na Fazenda Paraíso, em Leopoldina.
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| Jerônima Mesquita |
De origem abastada e aristocrática, Jerônima era filha de Maria José Vilas Boas de Siqueira Mesquita e de José Jerônimo de Mesquita, nascida numa família de cafeicultores bem sucedidos; por isso teve acesso a educação e cultura. Na Fazenda da família destacava-se a maneira com que os escravos eram bem tratatados. A eles foram permitidas aulas de música e a construção de uma sala de música. A família tinha sua própria orquestra, que tocava durante os jantares. Mesquita foi um dos primeiros fazendeiros de Leopoldina a libertar os escravos, antes mesmo da Lei Áurea. Como reconhecimento, o imperador Pedro II concedeu-lhe o título de Barão. [Interessante a atitude de Dom Pedro II, não? Fez Barão um fazendeiro do café por ter libertado seus escravos, mas ele próprio não fez o mesmo. Cedeu às pressões da aristocracia cafeeira, não libertou os escravos quando talvez ainda pudesse fazê-lo sem perder o trono. Acabou por ter os escravos libertados por sua filha, mas já com o trono comprometido. Esse Dom Pedro II era um grande “perdedor de bondes”.]
Voltando à família Mesquita... Destacava-se, assim, por estes méritos e pela boa educação aos filhos. Como era de costume para a elite da época, viajava entre Brasil e Europa constantemente. Na residência do Rio de Janeiro, no bairro do Flamengo, recebia ilustres da sociedade e personaldiades mundiais: Chiang Kai-shek e Madame Curie. A pianista Guiomar Novaes, amiga pessoal, costumava também hospedar-se na casa quando vinha ao Rio de Janeiro. Jerônima era a mais velha de cinco irmãos e realizou os estudos secundários na França, onde pôde presenciar a luta das mulheres pela igualdade. Por imposição da família casou-se aos 17 anos com um primo, com quem teve um filho, mas separou-se em seguida, após dois anos do casamento, e nunca mais voltou a casar.
Em 1914, quando eclodiu a I Guerra Mundial, Jerônima Mesquista ingressou como voluntária da Cruz Vermelha de Paris e depois serviu à Cruz Vermelha Suíça. Em 1919, Jerônima fundou o Movimento Bandeirante, que abriu caminho para a participação das mulheres na sociedade. As Bandeirantes tinham como atividades aulas de primeiros socorros, enfermagem e puericultura. Elas usavam uniformes decorrentes da influência militar, o que lhes conferia uma aparência masculinizada. Devido a sua dedicação por muitos anos ao bandeirantismo, foi condecorada com muitas honrarias. Entre elas estão o título de Oficial da Ordem Nacional do Mérito (Medalhas das Rosas), conferido pelo presidente da república; a primeira “Estrela de Honra no Brasil”, a maior condecoração bandeirante; e o Tapir de Prata, o maior distintivo escoteiro.
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| Associação de escoteiros em Leopoldina no início dos anos 1920 |
Em companhia das amigas Stela Duval e Bertha Lutz, Jerônima tornou-se uma ativista na luta dos direitos da mulher e foi uma das fundadoras, em 1922, da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino - FBPF. Pioneira na luta pelo direito ao voto feminino, Jerônima atuou no movimento sufragista de 1932. Em 1931, Getúlio Vargas concedeu voto limitado às mulheres, ou seja, somente solteiras, viúvas com renda própria ou casadas com a autorização do marido poderiam votar. Grupos feministas continuaram manifestando-se, alegando igualdade de voto entre homens e mulheres. Getúlio assinou, então, o decreto n.º 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, que determinava ser eleitor o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo, alistado na forma do código.
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| Enfim a conquista do direito ao voto feminino |
O Manifesto Feminista
As mulheres, assim como os homens, nascem membros livres e independentes da espécie humana, dotados de faculdades equivalentes e igualmente chamados a exercer, sem peias, os seus direitos e deveres individuais, os sexos são interdependentes e devem, um ao outro, a sua cooperação. A supressão dos direitos de um acarretará, inevitavelmente, prejuízos pra o outro, e, conseqüentemente, pra a Nação. Em todos os países e tempos, as leis, preconceitos e costumes tendentes a restringir a mulher, a limitar a sua instrução, a entravar o desenvolvimento das suas aptidões naturais, a subordinar sua individualidade ao juízo de uma personalidade alheia, foram baseados em teorias falsas, produzindo, na vida moderna, intenso desequilíbrio social; a autonomia constitui o direito fundamental de todo individuo adulto; a recusa desse direito à mulher é uma injustiça social, legal e econômica que repercute desfavoravelmente na vida da coletividade, retardando o progresso geral; as noções que obrigam ao pagamento de impostos e à obediência à lei os cidadãos do sexo feminino sem lhes conceder, como aos do sexo masculino, o direito de intervir na elaboração dessas leis e votação desses impostos, exercem uma tirania incompatível com os governos baseados na justiça; sendo o voto o único meio legítimo de defender aqueles direitos, a vida e a liberdade proclamados inalienáveis pela Declaração da Independência das Democracias Americanas e hoje reconhecidas por todas as nações civilizadas da Terra, à mulher assiste o direito ao título de eleitor.
Achei sensacional a parte do Manifesto que fala sobre a injustiça econômica entre homens e mulheres. Pagar impostos era dever igualitário, mas votar naqueles que decidiam sobre esses mesmos impostos não se aplicava ao sexo feminino. Tá bem... Durma-se com um barulho desses.
Em 1947, junto com um grupo de companheiras, fundou, no Rio de Janeiro, o CNMB - Conselho Nacional da Mulher do Brasil, uma organização cultural, não governamental, cujo objetivo é a defesa da condição da mulher. Dentre as principais conquistas estão: o direito ao voto, a fundação da Pró-Mater - hospital beneficente para acolher gestantes pobres -, a fundação da Associação Cruz Verde, que lutou contra a fome, a febre amarela e a varíola no início do século XX.
Jerônima Mesquita faleceu aos 92 anos, numa segunda-feira, dia 11 de dezembro de 1972, na Rua Almirante Tamandaré, 10, apto. 901, Flamengo, na cidade do Rio de Janeiro, então Estado da Guanabara. Foi sepultada no dia seguinte nesta mesma cidade, no Cemitério da Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Paula, no Catumbi. Faleceu vitimada por acidente vascular cerebral e cardiopatia hipertensiva, conforme laudo do médico, doutor Nélson Siqueira.
sábado, 10 de novembro de 2012
Mídia - Ela é o Quarto Poder
A informação que vende
Por Valério Cruz Brittos e Éderson Silva em 04/10/2011
Desde que a informação, a matéria-prima do jornalismo, passou a ser concebida como um produto e como tal priorizada para venda, o ato de informar seguiu um caminho perigoso e conflitante. A fidelidade aos fatos e à ética foi distorcida em nome de uma matéria espetacular para a apreciação e o consumo do maior número de receptores possível. Inseridas no contexto capitalista, as empresas de comunicação têm uma visão mercantilista da informação, que deve agregar a maior parte do público a que se destina para obter os melhores preços na vendagem do produto em si ou de sua publicidade.
O sensacionalismo é utilizado cada vez mais como recurso estratégico nesta Fase da Multiplicidade da Oferta em que os agentes comunicacionais têm que captar a atenção do público rapidamente, ante o acirramento da concorrência. Esta capacidade de agregar públicos faz com que o sensacionalismo seja utilizado, inclusive, como ação de programação para conquistar público localmente, como, no mercado televisivo, fazem Band e Record com a edição regional do Brasil Urgente e o Balanço Geral, respectivamente, ou como procedem organizações jornalísticas de vários estados brasileiros, com jornais para públicos C, D e E.
Nos projetos sensacionalistas, a notícia deve ser conduzida a um extremo, ocorrendo a exacerbação dos fatos incessantemente com detalhes minuciosos a fim de chocar ou emocionar o público. Estes casos ocorrem principalmente em sequestros, estupros, crimes hediondos, assaltos e outros acontecimentos fortes, em que há uma máscara de jornalismo popular, com seus protagonistas sendo proclamados representantes do povo. São mostrados como figuras paternalistas, defensoras dos mais fracos, mas se enriquecem da desgraça e do sofrimento alheio, vendendo uma imagem ilusória de salvação para os problemas sociais.
Questão ética, ponto crucial
Diariamente, grande parte da mídia utiliza-se do sensacionalismo para esquentar a notícia, permitindo sérios questionamentos éticos. Assim, o sensacional é mostrado de forma chocante e cruel ao telespectador e ao leitor. Os programas policiais utilizam-se muito desta forma de violência gratuita para noticiar os acontecimentos diários, quando são violados os direitos do cidadão. Forma-se um verdadeiro “circo midiático” em torno de um dado acontecimento, que toma proporções gigantescas, não raro desenrolando-se em vários capítulos, como uma novela, pronta para a venda em larga escala. Este tipo de jornalismo não distingue o que é informação relevante da que não é, e sim, a que vende e a que não vende.
O Código de Ética dos jornalistas brasileiros menciona que o profissional da área deve combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação. Deve haver respeito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão, o que não ocorre quando se trata de explorar a notícia pelo seu ângulo sensacional. Paradoxalmente, quanto mais o sensacionalismo é utilizado, mais é lançado o argumento de que o jornalismo não deve ser regulado porque, por si próprio, teria um caráter de serviço público, mesmo quando exercido no âmbito de instituições mercadológicas.
A atividade jornalística visa à pluralidade, na sua gênese estando ligada a interesses mais amplos, já a exploração de imagens com o objetivo de chocar as pessoas remete a objetivos privados, relacionados ao lucro, preferencialmente. No código da profissão está claro, em seu artigo 11, dentre outros pontos, que o jornalista não pode divulgar informações visando ao interesse pessoal ou buscando vantagem econômica; nem que contenham caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes. Questiona-se até que ponto grande parte dos conteúdos jornalísticos atuais passa por este confronto nas diversas mídias que atravessam a sociabilidade contemporânea.
Fonte: Site Observatório da Imprensa em 04.10.2011
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Perdão, Irineo Evangelista
O prédio que abriga a Estação Barão de Mauá, conhecida como Leopoldina foi inaugurado em 1926. Desde 2001, há onze anos, portanto, a estação ferroviária está vazia, com trens apodrecendo nos fundos e, ironicamente, hoje só serve para abrigar uma unidade da Polícia Ferroviária Federal.
A administradora da estação, a SuperVia, está elaborando um projeto de restauração para a Leopoldina. Segundo Carlos Henrique Sant’Anna, diretor de Novos Negócios da SuperVia, depois de autorizadas pelo Iphan, as obras da Leopoldina deverão durar um ano. O projeto na Estação Barão de Mauá, a Leopoldina, inclui o restauro e a limpeza das fachadas, nova iluminação e sistema de detecção de incêndio. Só.
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| A Estação Leopoldina e o Canal do Mangue na Av. Francisco Bicalho em 1927. |
Apesar disso, nada mudará no prédio da Leopoldina, já que as reformas vão apenas recuperar a estrutura do edifício. Não há um único projeto que contemple a utilização do espaço da estação na combalida edificação. Enquanto isso, o Museu do Trem, que ocupa um espaço no bairro de Engenho de Dentro, está fechado há cerca de três anos.
Se eu entendi bem a reportagem da Revista de História, publicada em 01/09/2012, se não estivéssemos para receber a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e as Olimpíadas em 2016, o prédio da estação da Leopoldina poderia cair de podre que não incomodaria a ninguém. Até porque é um prédio que fica numa zona sem importância nenhuma, entre a Cidade Nova e a Zona Portuária, de frente para um canal poluído e fétido, que traz os dejetos de boa parte da cidade do Rio de Janeiro para desaguar na Baía da Guanabara. Trata-se de um prédio que nem fica na zona sul da cidade! Quantos turistas passam por ali, pela Avenida Francisco Bicalho? Nenhum, talvez!
Mas, na verdade, eu gostaria de entender o porquê de o prédio ter de ficar inoperante. Ou seja, não há demanda para trens urbanos no Rio de Janeiro? Quem decidiu que a Leopoldina não é uma das soluções para o trânsito caótico da cidade? Ahh, sim... Lembrei-me. A salvação para nosso trânsito caótico são os BRTs, não é mesmo? Nada de VLT, metrô, trens urbanos, ou qualquer coisa que ande sobre trilhos.
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| Quem sabe seria esse o tipo de transporte que desejam para o Rio de Janeiro? |
Enquanto qualquer cidade brasileira, não só o Rio de Janeiro, não voltar sua prioridade de transporte urbano de massa para o ferroviário, elas continuarão a ter cada vez mais problemas de trânsito (incluindo aqueles advindos dele), e ainda, os homens e mulheres responsáveis pelos transportes urbanos no Brasil continuarão a enriquecer os donos de empresas de ônibus e empreiteiros, país afora.
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| É esse o tipo de trânsito que desejam para o Rio de Janeiro, não?! |
domingo, 9 de setembro de 2012
Tudo começou com esse texto em agosto/2010
Foi Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia e, depois, foi Advogado do Serviço Federal de Processamento de Dados - SERPRO (1979-84).
Prestou concurso público para procurador da República, e foi aprovado. Licenciou-se do cargo e foi estudar na França, por quatro anos, tendo obtido seu mestrado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e seu doutorado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1993. Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi visiting scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000) e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law (2002 a 2003). Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade.
Embora se diga que ele é o primeiro negro a ser ministro do STF, ele foi, na verdade, o terceiro, sendo precedido por Hermenegildo de Barros (de 1919 a 1937) e Pedro Lessa (de 1907 a 1921).
Em 22 de abril de 2009 o ministro Gilmar Mendes e o ministro Joaquim Barbosa discutiram na sessão plenária do tribunal. Barbosa, vocalizando a posição de considerável parte da opinião pública, acusou o presidente da Corte de estar "destruindo a credibilidade da Justiça brasileira" durante o julgamento de duas ações - referentes ao pagamento de previdência a servidores do Paraná e à prerrogativa de foro privilegiado. Barbosa foi categórico ao afirmar: "Vossa excelência não está na rua, vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro". Disse ainda: "Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso". Mendes se apressou em encerrar a sessão sem refutar nenhuma das acusações.
Dois dias depois, Barbosa foi saudado e fotografado por dezenas de pessoas durante e após almoço com três amigos no tradicional Bar Luiz, na Rua da Carioca, no centro do Rio de Janeiro. Um colega da Procuradoria da República garantiu que Barbosa "está bem, feliz e sem nenhum arrependimento".
O “bate-boca” entre o presidente do STF, Gilmar Mendes (dono de uma biografia repleta de denúncias de corrupção) e o ministro Joaquim Barbosa (dono de uma biografia invejável) traz a necessidade de esclarecer quem é quem no Judiciário brasileiro.
Precisamos, urgentemente, de mais “Joaquins Boarbosas” no Brasil e no mundo, tamanha a inversão de valores que nos assola.
sábado, 25 de agosto de 2012
Mensalão, agora o Ministro virou herói
http://blogs.estadao.com.br/joao-bosco/barbosa-erra-ao-cobrar-privacidade-em-ambiente-publico-de-lazer-durante-licenca-medica/comment-page-1/#comment-13782
No mesmo dia 10/08, publiquei em meu blog pessoal o seguinte post:
http://www.elianebonotto.com/2010/08/estadao-e-ministro-do-stf-joaquim.html
Hoje, diante de tantas manifestações de endeusamento do Ministro, resolvi deixar o comentário abaixo no mesmo fórum, no qual há dois anos, defendi quase que sozinha o mesmo "Ministro-herói" dos últimos dias nas redes sociais.
O meu comentário ainda está na aprovação da moderação do blog, creio eu. Ei-lo.
"Bem... Depois de passados mais de dois anos dessa infeliz reportagem do Estadão, e de todos os comentários dela advindos, inclusive os meus, gostaria de saber se os personagens afoitos e ansiosos por "atirar pedras na Geny" ainda têm o mesmo pensamento exposto através de suas apreciações.
Agora que o Ministro Joaquim Barbosa tornou-se o "herói" da hora nas redes de relacionamento, como eu gostaria de saber o que pensam os comentaristas que, em agosto/2010, esfolaram o Ministro sem pestanejar!
Não postei uma única linha sobre o trabalho do ministro relator do "mensalão" em nenhuma rede social, pois já o fizera aqui e, mesmo antes disso (no início de agosto/2010), no meu blog pessoal, em forma de elogio a um dos vários brasileiros a quem devemos reverência. Tenho acompanhado o julgamento em questão e lembrei-me das opiniões desencontradas e sem fundamento neste fórum, quase todas fruto de quem mal sabe expressar uma ideia. Eliane Bonotto”
Para os poucos que terão paciência de ler os textos dos links publicados aqui, fica o senso de prudência ao tratarmos os demais ministros do STF, já que não desejamos a perpretação da impunidade no país. É fato que as defesas apresentadas durante o julgamento foram grotescas, risíveis até. Contudo, agir passionalmente não necessariamente significa fazer justiça. E mais do que dividir a Suprema Corte do país em “bandidos e mocinhos”, queremos que os ministros pratiquem a Justiça, se é que isso é possível diante de tantos conflitos de interesses. Que tal refletirmos?!
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| Imagem de gosto duvidoso que circula pelas redes sociais nos últimos dias |
domingo, 12 de agosto de 2012
O Mensalão e a Carminha
Conforme noticiado na GloboNews hoje, a polícia militar esperava caravanas de manifestantes. Foram armados cercadinhos para separar os manifestantes pró e contra, estariam disponíveis 500 homens por dia, bloqueariam todas as vias que cercam o STF etc.
Conclusão:
- As caravanas NÃO apareceram, bem como os manifestantes.
- 40 policiais militares estão sendo o suficiente para manter a ordem no entorno do prédio do STF.
- Foi fechada apenas uma pequena rua de acesso ao prédio do tribunal.
Infelizmente, essa não é uma notícia alvissareira. Os brasileiros continuam a não se importar com uma das mais nefastas pragas nesta terra, a corrupção (mãe do jeitinho brasileiro).
Cá entre nós, depois da "mequetrefe", do tesoureiro (Jacinto Lamas... Ó nome hein!) que é um "zero à esquerda" e outros quetais, que cidadão não sentiria sua inteligência ser profundamente subestimada?
Por isso mesmo, gostaria muito que todos nós saíssemos dessa posição confortável e deixássemos de ser meros títeres nas mãos dessa gente (se é que se pode chamá-los assim).
Estou ansiosa para conhecer os votos de cada Ministro da mais alta Corte do país, mesmo já sabendo que não haverá nada de estrondoso. Pena que tão poucos se indignam com o assunto. Sequer sabem o que acontece pelas bandas do planalto central.
Mas pior, muito pior do que tudo isso (e minha maior tristeza), é saber que a pessoa mais importante, prestigiosa, influente e poderosa do Brasil, atualmente, é a Carminha.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Será mesmo?
1749-1832
terça-feira, 3 de julho de 2012
Rio, Paisagem Cultural Urbana? Tá brincando!
Pois é... O lobby deve ter sido forte e o título vem complementar o status de sede da Copa do Mundo de Futebol e das Olimpíadas. Eu continuo achando que precisávamos de "mais" para sermos Patrimônio Cultural. Pois um título desses - "Paisagem Cultural Urbana" - no meu humilde entender, deveria envolver alguns outros critérios como educação, qualidade de vida, envolvimento da população com seus bens materiais públicos, coisa que não acontece com a frequência desejada.
Ontem, 01/07/2012, o Rio de Janeiro ganhou da Unesco, o título de Patrimônio Mundial na categoria "Paisagem Cultural Urbana". Mas... Sem querer ser chata (e já sendo), me respondam: uma cidade que macula seu centro histórico, colocando em meio a prédios tão lindos e tão importantes para a História e a Cultura da cidade, essas monstruosidades modernosas, merece esse título?
Na foto tirada por mim em novembro passado, vemos à direita o telhado do Teatro Municipal; ao centro a Av. Rio Branco, o Monumento aos Pracinhas adiante e o Morro da Urca ao fundo; à esquerda a Biblioteca Nacional e o CCJF (Centro Cultural da Justiça Federal, antigo Supremo Tribunal Federal) ao lado. Dos “caixotões” nem vou falar, até porque não são importantes mesmo...
Imaginem a beleza que seria essa paisagem urbana se o gabarito antigo fosse preservado e os prédios fossem mais ou menos na altura das cúpulas do CCJF: poderíamos ver a baía de Guanabara e o Pão-de-Açúcar que quase pode ser visto à esquerda, não fosse a altura dos prédios.Então, vou tentar responder à pergunta que a Marilda fez no início do texto. “Uma cidade que macula seu centro histórico, colocando em meio a prédios tão lindos e tão importantes para a História e a Cultura da cidade, essas monstruosidades modernosas, merece esse título?” Respondo com um sonoro NÃO! Marilda, no Brasil comemora-se qualquer coisa. É incrível como se gosta de uma esmola nesse país!
Alguém sabe dizer na gestão de que prefeito foi permitida a construção dessas três coisas horrendas? Sim, porque existia um gabarito (que já tinha sido aumentado anos depois da inauguração da avenida) e que foi novamente modificado, claro, para atender a interesses econômicos e provavelmente a custa de muita propina, como é de costume. Eu nunca vou me conformar com essa aberração urbana!!!
O Rio é a primeira cidade a candidatar-se inteira a Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural Urbana. Segundo o presidente do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o grande diferencial na cidade é “a utilização intencional da natureza, que, atendendo aos interesses econômicos dos colonizadores portugueses, formou a paisagem carioca."
Quando o texto fala em "primeira cidade a candidatar-se inteira", suponho que as outras cidades do Brasil e do mundo, que já são "Patrimônio da Humanidade", tenham o título apenas para seu centro histórico. Se for isso, o Rio se apresenta ao título em toda a sua extensão. E então, a minha pergunta é: O Rio merece esse título?
Não resta dúvida que a cidade do Rio de Janeiro tem uma beleza natural sem par na área da orla. Os maciços que se estendem do interior da cidade até a orla, especialmente o da Tijuca, com o pico do Corcovado, o pontão do Pão-de-Açúcar e até mesmo a Serra do Mar que circunda ao longe a baía de Guanabara, a floresta da Tijuca (ainda que seja replantada), enfim, os nossos atrativos naturais, tão conhecidos no Brasil e no mundo, creio que não deixam margem a contestações sobre nosso Patrimônio Natural. Mas e quanto ao nosso Patrimônio Cultural?
Não estou diminuindo a importância das intervenções que fizemos ao longo do tempo e que contam nossa História (os prédios históricos, a abertura de avenidas e jardins) que contam a evolução urbano-histórica de nossa cidade. Afinal, nós próprios é que devemos ser os primeiros a valorizar a cidade que construímos. E é aí que a coisa se complica. Valorizamos o que construímos? As intervenções que fizemos na paisagem ao longo do tempo estão em bom estado, são conservadas e preservadas (pela população e pelos governos) a ponto de nos permitirem desejar e ganhar esse título de Patrimônio Cultural da Humanidade?
Falam muito no Corcovado e na orla de Copacabana, mas no quesito "patrimônio cultural" penso que devemos voltar nossas atenções também para outros monumentos e intervenções como o Aterro do Flamengo e, principalmente, o Centro do Rio, este Centro (que não é realmente o centro geográfico da cidade, mas o centro econômico). Esse Centro onde a nossa História se encontra, hoje, tão "picotada" (pois o que se tem são "ilhas" históricas num mar de espigões e de generalizado mau gosto modernoso), maltratado muitas vezes e pouco valorizado pelos órgãos da prefeitura e do estado, haja vista a dificuldade de se conseguir verbas suficientes para a conservação e restauração de importantes patrimônios.
E o Aterro do Flamengo? Será que suas condições de conservação são tão boas assim a ponto de influenciar positivamente na escolha da cidade para esse título? E a questão das moradias nos morros (favelas), que tanto interferiram no espaço cultural e social da cidade? É um ponto a favor ou contra? Sabemos que ainda hoje, apesar das melhorias introduzidas nessas comunidades, a falta de saneamento, os problemas de educação, de pobreza, ainda são seríssimos para a população. Esses problemas devem ser levados em conta numa escolha para "Patrimônio Cultural Urbano"?
Na minha opinião, tudo isso conta ou deveria contar. Por isso, não acho que o Rio devesse ser escolhido como Patrimônio Mundial, no item "Paisagem Cultural Urbana". Uma cidade - e um país - que não valoriza a sua História, que deixa prédios importantes de sua cidade se deteriorar para depois simplesmente demoli-los (um hábito que vem de longa data e que ainda não foi totalmente extirpado), que ainda apresenta tantos problemas de educação e cultura, não merece - pelo menos por enquanto - esse título.
Mas, enfim, o título está conosco e agora fazemos parte de um grupo seleto, junto com tantos outros sítios culturais no mundo. Só me resta esperar que os louros venham para toda a cidade, verdadeiramente.
Eu penso assim, agora que, dizem, o Brasil não é mais o país do futuro e sim um país emergente, está tudo certo. O Brasil está se comportando exatamente como um bom nouveau riche que se preza. É assim mesmo. Não há saneamento básico para a população das favelas, o brinquedinho preferido daqueles que vivem delas (as favelas), mas é um colecionador de títulos e afins. Coisas da república, não?!
Senão vejamos:
1. O Rio de Janeiro sediou os Jogos Pan-americanos em 2007.
2. Desde 2003, já é sabido que o Brasil sediará a Copa do Mundo de Futebol de 2014.
3. Em 2007, o Cristo Redentor, de braços abertos no morro do Corcovado, apesar de ser belíssimo, foi eleito uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo, o que, cá entre nós, já é um pouco demais, principalmente se considerarmos que ele ocupa um lugar no qual poderiam estar, por exemplo, o Templo de Angkor Wat, no Camboja, ou a Acrópole de Atenas, na Grécia, dois dos finalistas do famigerado concurso.
4. Em 2009, o COI – Comitê Olímpico Internacional, elegeu o Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016.
5. E agora a novidade, o Rio de Janeiro ganhou da Unesco, o título de Patrimônio Mundial na categoria "Paisagem Cultural Urbana".
O pior de tudo isso é ver que é enorme o número de pessoas (muitas das quais conhecidas nossas), que postou votos de parabéns à “cidade maravilhosa” no Facebook. Essas pessoas sequer questionaram o acontecido. E o que é insensato, os ditos intelectuais brasileiros, bradam aos quatro ventos que, durante a ditadura militar, ganhar a Copa do Mundo de Futebol só serviu para anestesiar o povo, que era um bando de alienados, pois acabava por não saber o que acontecia por trás das cortinas etc. Interessante... Parece-me que estou assistindo ao mesmo filme. É essa, Marilda, minha opinião de “enfant terrible”(*).
















